Publicidade
Publicidade
Receba notícias do Congresso em Foco:
Pedro Rodrigues
Pedro Rodrigues
Pedro Rodrigues
Pedro Rodrigues
Energia
15/5/2026 12:30
O Leilão de Reserva de Capacidade de 2026 tem circulado nas manchetes carregando um número: 10% de aumento na conta de luz. Porém, essa afirmação simplista não resiste a uma matemática simples.
O próprio governo aponta R$ 33,6 bilhões em descontos frente ao teto regulatório. Para a família de consumo médio, o impacto real fica entre R$ 4 e R$ 6 por mês. Em troca, o sistema recebe fornecimento firme por até 15 anos e financia infraestrutura permanente — usinas, terminais de regaseificação, redes de transmissão que servirão por décadas. Não é despesa passageira. É investimento, pago em parcelas mensais quase invisíveis.
A pergunta correta não é quanto custa o leilão. É quanto custaria não tê-lo feito.
Há um problema físico raramente discutido. Toda tarde, quando o sol se põe, a geração solar despenca enquanto o consumo residencial dispara. Compensar essa transição exige injetar até 40 gigawatts no sistema em minutos — três Itaipus ligadas de uma hora para outra. E o sucesso brasileiro com renováveis ampliou o problema: quanto mais solar e eólica, mais aguda a rampa do entardecer.
Baterias serão parte importante da solução, e devem ser contratadas. Mas é preciso entender o que fazem: armazenam energia, não a geram. Sem excedente para carregá-las, ficam vazias. E sem grandes geradores dando potência à rede, flutuações dessa magnitude viram blecautes em cascata.
A tecnologia que responde no prazo é a térmica a gás de grande porte. Isso não é escolha ideológica. É uma exigência física.
Daí os preços. Térmicas a gás exigem terminais de regaseificação, navios de GNL, contratos em dólar, transmissão dedicada. Num momento em que turbinas e transformadores são disputados pela explosão dos data centers pelo mundo, equipamentos atingiram o maior patamar histórico. Esses preços dados pelo mercado internacional são uma realidade que precisa ser compreendida e enfrentada.
Não realizar o leilão significa voltarmos para 2021, ano da crise hídrica que gerou mais de R$ 10 bilhões em encargos em poucos meses — sem planejamento, sem concorrência, sem escolha. Forçando o país, sob pena de apagões, contratas energia emergenciais custando até dez vezes mais do que um leilão regular. O custo de um apagão para indústria, comércio e famílias é estimado em bilhões por dia.
O pagamento por disponibilidade — remunerar a usina por estar pronta, e não apenas por gerar — é o modelo adotado nos Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda e Colômbia. Não é intervencionismo. É mecanismo de mercado: faz o investimento privado em capacidade acontecer antes da crise, não depois.
A conta mais cara que o brasileiro pode receber não vem de um leilão. Vem de um apagão.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
Temas