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Adriana Vasconcelos
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Eleições 2026
19/10/2026 11:00
A sete dias do segundo turno da disputa eleitoral e após o constrangedor primeiro debate entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, no qual ataques e ofensas substituíram a discussão sobre soluções efetivas para os problemas reais do país, está mais do que claro que vale tudo para se chegar ao poder. Um terreno fértil para a violência política, mas é importante destacar: as candidatas mulheres seguem sendo os alvos preferenciais.
É o que constata a 4ª edição da pesquisa "Violência Política e Eleitoral do Brasil", realizada pelas organizações Terra de Direitos e Justiça Global. As mulheres candidatas foram quase 60% das vítimas de violência política nos 50 dias de campanha do 1º turno das eleições deste ano, embora representassem apenas 34,85% das candidaturas. O que registra um aumento em relação às edições anteriores, em que esse percentual variou na faixa dos 38%.
Quase sempre os episódios de violência contra mulheres na política buscam intimidar ou desqualificar a candidata. Entre os 70 episódios de violência registrados contra mulheres, 53 apresentaram algum marcador discriminatório. Entre eles, 45 casos de machismo ou misoginia, nove de racismo e cinco de transfobia.
O levantamento mostra ainda que a violência contra as mulheres também se caracteriza pela recorrência: dos 11 candidatos vítimas de episódios repetidos, nove eram mulheres. Muitos desses ataques acontecem no ambiente virtual. Dos 42 casos registrados na internet, 34 tiveram alvos femininos, o equivalente a 81% do total de casos virtuais.
A questão de gênero torna-se mais evidente ainda quando os ataques partem de adversários políticos homens. O pior é que os dados mostram que a violência política nem sempre termina com a eleição. Aliás, são práticas que repercutem diretamente na participação política das mulheres: a violência política de gênero são um dos maiores entraves à entrada e à permanência das mulheres na vida pública.
Punição é fundamental
Por mais inóspito que o ambiente político seja, ele não deixa de refletir, de certa forma, a rotina diária de diferentes mulheres. Da mãe que não consegue se livrar da violência doméstica dentro de casa às milhares de mulheres que seguem sendo discriminadas em seu ambiente de trabalho, onde recebem, em média, 21% menos do que os homens que desempenham as mesmas funções.
Talvez a chave certa para frear tanta violência e discriminação seja uma só: punição. De preferência exemplar. Só uma punição assim seria capaz de conter a escalada de ataques e ameaças dirigidas preferencialmente a mulheres, das mais diversas formas e contextos.
Daí a importância de celebrarmos a condenação proferida na semana passada pela Justiça do Rio: 15 anos de prisão, em regime fechado, para cada um dos quatro jovens que participaram do estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos, em janeiro deste ano, em um apartamento em Copacabana.
Isso é o mínimo que a sociedade espera de um regime democrático.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para redacao@congressoemfoco.com.br.
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