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Adriana Vasconcelos
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O longo caminho até a paridade de gênero nas eleições brasileiras
Adriana Vasconcelos
Mulheres no poder
22/9/2026 12:35
Em uma semana que entrou para a história como uma das mais vergonhosas para o Judiciário, coube a uma mulher — a única, aliás, com assento hoje no Supremo Tribunal Federal — salvar o que restou de honra à Suprema Corte do país, pedindo desculpas públicas ao povo brasileiro.
A ministra Cármen Lúcia foi a única a lamentar a troca de ofensas e acusações em sessão do STF transmitida ao vivo para todo o país. Cenas que fariam ruborizar democracias sólidas e parecem muito distantes da regra constitucional segundo a qual todos os brasileiros são iguais perante a lei.
Reflexo de um Brasil cheio de contradições, onde homens precisam do voto das mulheres para se manterem no poder, e de uma sociedade ainda resistente em aceitar a presença feminina em ambientes cujo acesso era exclusivamente masculino. Além, é claro, da falta de consciência coletiva feminina de que nem a esquerda nem a direita querem de fato as mulheres no poder, embora tentem se aproveitar do eventual prestígio e da popularidade conquistados por lideranças femininas — na maioria das vezes, para amenizar a imagem de candidatos homens.
MonitorA
Enquanto as propagandas no horário eleitoral gratuito expõem o desespero dos extremos políticos para conquistar o voto feminino nesta reta final de campanha, também nos deparamos com dados que revelam o quanto o ambiente político ainda é hostil às mulheres. Como bem revelou o projeto MonitorA, desenvolvido pela InternetLab, Democracia em Xeque e Núcleo de Jornalismo, as candidatas seguem sendo o alvo preferencial da violência política de gênero neste ano.
O levantamento analisou comentários no X, no YouTube e no TikTok em perfis de 60 candidatas e 27 candidatos durante a primeira etapa da campanha eleitoral e mostrou que as mulheres foram alvo de seis em cada dez agressões em algumas redes. A ex-ministra Marina Silva (Rede), candidata ao Senado em São Paulo, lidera o ranking, com 32% das ofensas dirigidas a candidatas. Seguida por nomes tanto da direita quanto da esquerda, como Bia Kicis (PL-DF) e Benedita da Silva (PT-RJ), o que reforça que a perseguição às mulheres que querem ocupar espaços de poder é geral e independe da ideologia pregada.
Confia Nelas
Aliás, o resultado de uma pesquisa do Instituto Ideia, realizada em agosto passado e divulgada junto com o manifesto Confia Nelas, jogou luz sobre o abismo que separa homens e mulheres na representação política brasileira, na expectativa de levar a sociedade a refletir se não chegou a hora de aceitar que a presença feminina se tornou necessária e urgente — embora a participação feminina na política ainda cause "estranhamento" e "desconfiança" em 35% da população.
Está na hora de as brasileiras se enxergarem como protagonistas, com legitimidade para se sentarem à mesa nas discussões sobre o futuro do Brasil! Só precisam se unir. Isso ajudará a acelerar uma mudança já em curso, mas ainda lenta, que tem garantido a ampliação pequena, porém permanente, da participação feminina nos espaços de poder.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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