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Adriana Vasconcelos
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Política
26/10/2026 15:00
A confirmação neste domingo da eleição de mais duas governadoras — Celina Leão (PP), no Distrito Federal, e Mailza Assis (PP), no Acre — assegurou que o Brasil volte a ter três Estados administrados por mulheres, como aconteceu há 20 anos, mais precisamente em 2006, quando foram eleitas Yeda Crusius (PSDB), no Rio Grande do Sul; Wilma de Faria (PSB), no Rio Grande do Norte; e Ana Júlia Carepa (PT), no Pará.
Essa conquista consagra mais uma vez a ampliação — ainda lenta, mas constante — da presença feminina em espaços de poder. Mais do que isso, é hora de saber qual será o tratamento dispensado pelo presidente reeleito às mulheres no quarto mandato que se inicia. Especialmente depois do reconhecimento público feito por Lula em sua primeira fala após o anúncio do resultado final, em que reconheceu que o eleitorado feminino foi decisivo para que ele não encerrasse sua carreira política com uma derrota.
Neste terceiro mandato, as mulheres foram deixadas em segundo plano por Lula. Quando teve a oportunidade de indicar três nomes para a composição do Supremo Tribunal Federal, o presidente, em nenhuma dessas ocasiões, sequer cogitou encaminhar o nome de uma mulher, a despeito de a Suprema Corte ter atualmente apenas uma ministra, Cármen Lúcia. E, ao longo de sua história, apenas três mulheres foram ministras do Supremo Tribunal Federal até hoje.
Como prometeu mudar seu jeito de governar neste quarto mandato, Lula terá uma ótima oportunidade de provar isso — seja ampliando o número de mulheres na Esplanada dos Ministérios e, quem sabe, nomeando uma mulher para a vaga aberta há um ano, em razão da aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, em vez de insistir novamente no nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, já derrotado pelo plenário do Senado.
Mas o certo mesmo é que novas protagonistas estão entrando em cena no cenário político nacional. É o caso da nova senadora eleita pelo Distrito Federal, Michelle Bolsonaro, que tem tudo para se tornar a principal porta-voz do clã Bolsonaro, ainda mais após o próprio sucesso eleitoral e o de suas principais aliadas no Distrito Federal: a governadora reeleita Celina Leão no segundo turno de ontem e Bia Kicis, que comporá a bancada 100% feminina do DF no Senado.
Do lado da esquerda, a novata Ana Elisa (PT), com apenas 21 anos, chega à Câmara dos Deputados com status de estrela por conta dos mais de 500 mil votos recebidos, que lhe garantiram o posto de segunda parlamentar mais votada de Minas Gerais, tendo, inclusive, superado o desempenho do ex-governador Romeu Zema no primeiro turno da disputa presidencial, que recebeu pouco mais de 326 mil votos em todo o país e não conseguiu vencer em nenhuma cidade mineira.
Do time de governadoras, a única com canal mais fluido de comunicação com o Palácio do Planalto é Raquel Lyra, reeleita em Pernambuco, que derrotou o candidato apoiado por Lula, o ex-prefeito João Paulo Campos. Celina Leão também impôs uma derrota ao petista Leandro Grass no Distrito Federal.
Mas, independentemente do campo político, todas foram legitimamente eleitas pelo voto popular, assim como Lula — o que deveria lhes garantir, no mínimo, um tratamento republicano por parte do governo federal.
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