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4/5/2015 | Atualizado 10/10/2021 às 16:40

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Martin Luther King costumava dizer que "nossa vida começa a acabar quando nos calamos frente às coisas que realmente importam". Pois bem: nossa geração está a um passo de ver o crescimento real do Brasil – mas, no entanto, dele está abrindo mão por conta de um silêncio daqueles que doem na alma. Vivemos em um país no qual morrem 20 crianças a cada dia só por conta de doenças causadas pela falta de um simples esgoto sanitário, que não chegou ainda a 60% dos nossos municípios: 20 crianças por dia são 600 por mês – ou o equivalente a uns quatro aviões Airbus lotados. Calculou-se que com R$ 100 bilhões levaríamos saneamento básico completo para 86 milhões de brasileiros, eliminando de vez esta vergonhosa chacina mensal. Pois bem: só em 2007 pagamos, a título de juros da dívida pública, incríveis R$ 160 bilhões - 60% a mais! E nem falamos nisso - nossas elites preferem tratar de assuntos mais amenos. Segundo a ONU, das crianças brasileiras que sobrevivem a este horror,  quase seis milhões trabalham, a metade delas sem receber nada além de algum alimento. A jornada de trabalho destes escravos, digo, crianças, não é pequena - no mínimo 40 horas semanais. Claro, há também aquelas crianças, digo, escravos, que recebem remuneração - precisos 41,5% deles, que ganham no máximo meio salário mínimo. É assim que 22% dos 25 mil catadores de lixo brasileiros tem menos de 14 anos. Enquanto isso, gastamos alegremente cerca de R$ 1 bilhão a cada ano só em propaganda institucional. Nossas elites preferem falar de assuntos mais agradáveis, e assim o tempo vai passando. Será assim que 41% destas crianças sequer concluirão o ensino fundamental, juntando-se aos 68% de brasileiros entre 15 e 64 anos que nada conseguem ler além de um anúncio de cinco palavras. Mas, pensando bem, é melhor mesmo que não leiam - assim, falarão menos, abrindo menos a boca e lembrando às nossas elites, de forma absolutamente incômoda, que três em cada quatro brasileiros são desdentados. Somente em São Paulo, 68% dos adultos já perderam todos os dentes, e 30 milhões de brasileiros nunca foram a um dentista. Sim, é melhor que eles fiquem mesmo de boca fechada... Enquanto isso, segundo a Controladoria-Geral da União divulgou em 2008, a corrupção, o desperdício e a má-gestão desviam do dinheiro público investido na saúde R$ 426,4 milhões, que equivalem a 25,1% do repasse do Ministério da Saúde aos municípios. O Brasil imenso e rico, que imaginamos já às portas do 1º Mundo, tem apenas 29.798 km de ferrovias - uma malha ferroviária do tamanho daquela do pequenino Japão. Para piorar, 10 mil km estão desativados - são linhas antigas, construídas pelo Imperador D. Pedro II. No pedaço que sobra, nossos trens andam a 20 km/h em média. O resultado disso: 70% das nossas cargas andam por aí no lombo de caminhões caríssimos adquiridos de empresas estrangeiras, um absurdo sem paralelo no planeta! E este absurdo é ainda maior quando uma em cada dez estradas brasileiras não tem qualquer pavimentação, e 40% delas precisariam ser totalmente refeitas, pois nem reparos comportam mais. Diante de uma tão grande como perigosa carência de infra-estrutura, tivemos a coragem de ficar em silêncio quando o TCU identificou recentemente 400 obras paralisadas no país, após terem consumido R$ 2 bilhões em recursos públicos. A riqueza do Brasil bem que tenta compensar nossa histórica cegueira gerencial - haja extrativismo para a nossa economia. Mas até quando? Mais sobre desigualdade social
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Saúde desigualdade social transporte estradas saneamento básico concentração de riqueza indicadores sociais

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