Entrar
Cadastro
Entrar
Publicidade
Publicidade
Receba notícias do Congresso em Foco:
SAÚDE E EDUCAÇÃO
Congresso em Foco
20/1/2026 9:54
Os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) revelaram um forte desnível na qualidade dos cursos de medicina no país. Enquanto universidades federais e estaduais concentraram os melhores desempenhos, cursos mantidos por municípios e instituições privadas com fins lucrativos ficaram, em sua maioria, abaixo do patamar mínimo de qualidade definido pelo Ministério da Educação (MEC).
No conjunto dos participantes, 75% dos estudantes alcançaram desempenho considerado proficiente. O dado geral, porém, esconde diferenças expressivas entre os tipos de instituições. Entre os 6.502 alunos das universidades federais avaliados, a média de proficiência foi de 83,1%. Nas estaduais, o índice foi ainda mais alto: 86,6% entre os 2.402 estudantes inscritos. São considerados proficientes aqueles que se enquadram nas faixas 4 e 5, em uma escala de 0 a 5.
Na outra ponta do ranking aparecem os cursos municipais e privados com fins lucrativos. Entre os 944 estudantes da rede municipal, a média de proficiência ficou em 49,7% da pontuação máxima, desempenho classificado como insuficiente pelo exame. Já nas instituições privadas com fins lucrativos, os 15.409 alunos avaliados atingiram média de apenas 57,2%.
Segundo o MEC, 85% dos cursos municipais avaliados foram considerados insatisfatórios. O baixo desempenho também predominou entre as faculdades privadas com fins lucrativos, reforçando a concentração de problemas de qualidade fora do sistema público federal e estadual.
O contraste se repete no topo da avaliação. Apenas sete universidades privadas, com e sem fins lucrativos, alcançaram o conceito máximo do Enamed, a nota 5. Quatro dessas instituições estão em São Paulo, duas no Paraná e uma no Ceará. A lista inclui a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, a Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein e as Faculdades Pequeno Príncipe.
No total, o Enamed avaliou 351 cursos de medicina em todo o país. A partir do desempenho dos estudantes, os cursos receberam conceitos que vão de 1 a 5, dentro do sistema do Enade. Dos cursos analisados, 24 ficaram com conceito 1 e outros 83 com conceito 2, as duas faixas consideradas abaixo do mínimo esperado.
Esses resultados embasam as medidas de supervisão anunciadas pelo MEC. Ao todo, 99 cursos do Sistema Federal de Ensino — que reúne instituições federais e privadas — ficaram nas faixas 1 e 2 e poderão sofrer sanções. Faculdades estaduais e municipais não estão sob a supervisão direta da União e, por isso, não são alcançadas pelas punições federais.
As penalidades variam conforme o desempenho. Cursos com conceito 1 poderão ter o ingresso de novos alunos suspenso. Já aqueles com conceito 2 estarão sujeitos à redução do número de vagas. O MEC afirma que as medidas são escalonadas e que as instituições terão direito à ampla defesa.
Aplicado pela primeira vez em outubro de 2025, o Enamed substituiu o Enade específico dos cursos de medicina. Criado por portaria do MEC, o exame é obrigatório para estudantes concluintes, reúne 100 questões sobre diferentes áreas da formação médica e também passou a influenciar o acesso à residência.
A nota obtida no Enamed pode ser utilizada no Exame Nacional de Residência (Enare), processo seletivo unificado coordenado pelo MEC e pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Para o governo, o novo modelo permite monitorar de forma contínua a qualidade dos cursos e aproximar a formação médica das demandas do sistema de saúde.
LEIA MAIS