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ELEIÇÕES
Congresso em Foco
23/3/2026 15:09
O governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, oficializou seu anúncio de renúncia, que deve acontecer na tarde desta segunda-feira (23) em cerimônia no Palácio da Guanabara. O ato atende à exigência legal de desincompatibilização de membros do Executivo para que possam disputar em eleições majoritárias fora do cenário de reeleição.
Neste pleito, Castro não poderá concorrer à reeleição: seu mandato-tampão entre 2021 e 2022 após o impeachment do ex-governador Wilson Witzel faz com que o atual governo seja contabilizado como segundo mandato. No lugar do Executivo, Castro é cotado pelo PL para concorrer ao Senado. A segunda vaga da chapa será destinada ao prefeito de Belford Roxo, Marcelo Canella, do União Brasil.
Após a saída de Castro, o Rio de Janeiro terá um novo governo-tampão: seu vice, Thiago Pampolha, renunciou para assumir uma das vagas no Tribunal de Contas do Estado do RJ. O desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) assumirá interinamente ao cargo, ficando encarregado de convocar uma eleição indireta na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
O pré-candidato cotado pelo PL para disputar a sucessão de Cláudio Castro é o deputado estadual Douglas Ruas, ex-secretário de Cidades do Rio de Janeiro. Ele deverá concorrer contra o ex-prefeito Eduardo Paes, do PSD, que também se desincompatibilizou para poder participar do pleito.
Cerco judicial
A renúncia de Cláudio Castro acontece em um momento crítico para a preservação de seu mandato. Ele responde no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder econômico, acusado pelo Ministério Público Eleitoral de contratar funcionários temporários irregularmente na Fundação Ceperj e na Universidade do Estado do Rio (Uerj) em 2022 para que servissem como cabos eleitorais.
O caso tramita sob relatoria da ministra Isabel Gallotti, que proferiu parecer favorável à sua cassação e inelegibilidade. Seu voto foi acompanhado pelo ministro Antonio Carlos Ferreira, e o processo foi interrompido no início de março após pedido de vista do ministro Nunes Marques. A previsão é de retomada na terça-feira (24).
Rivais reagem
Rivais de Cláudio Castro enxergaram a renúncia na véspera do julgamento, dias antes do prazo de desincompatibilização, como uma tentativa de evitar uma cassação, ampliando a margem para preservação de seus direitos políticos e consequentemente de sua campanha ao Senado.
Eduardo Paes chegou a ironizar a entrega do cargo. "Encerramento de mandato nada! Trata-se de um governador omisso fugindo da justiça. Fugindo não! Pior! Desrespeitando a justiça com os crimes que cometeu! (...) E ainda quer fazer o sucessor para continuar aprontando! Tenho certeza de que o TSE não admitirá esse tipo de chicana", publicou em suas redes sociais.
Veja sua publicação:
A presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, deputada estadual Dani Monteiro (Psol), afirmou que Castro "renunciou para não ser cassado", e relembrou a prisão de Rodrigo Bacellar, aliado do governador, preso desde dezembro de 2025. "Um retrato do descaso da direita com o povo", comentou.
Renata Souza, líder do Psol na Alerj, relembrou os fatos da denúncias contra Cláudio Castro e criticou ações de sua gestão. "Foi um governo incapaz de oferecer respostas aos problemas enfrentados pela população. Espero que a Justiça Eleitoral analise com rigor os fatos e que o Rio de Janeiro possa apostar em uma outra política que nos permita viver dias melhores", declarou.
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