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POLÍTICA EM MOVIMENTO

Nove anos depois, impeachment de Dilma ainda molda a política em 2025

Primeira mulher a presidir o país deixou o cargo em meio a uma das maiores crises políticas da história do Brasil. De lá para cá, Congresso e extrema direita avançaram.

Congresso em Foco

29/8/2025 | Atualizado às 17:01

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Nove anos após o impeachment de Dilma Rousseff, consumado há exatos 16 anos, o país ainda vive sob a sombra daquele processo. Mais do que interromper o primeiro ciclo de poder do PT, iniciado em 2003, o afastamento da primeira mulher a presidir o Brasil inaugurou uma década de polarização radical, rearranjos partidários e instabilidade institucional que segue moldando a política em 2025.

O impeachment alterou as forças políticas, fortaleceu o Congresso e alimentou a ascensão da extrema direita. Projetou Jair Bolsonaro de deputado do baixo clero à Presidência em 2018 e compôs o pano de fundo da volta de Lula em 2022 e dos ataques de 8 de janeiro de 2023. Mais do que um episódio encerrado, 2016 foi o gatilho de uma década turbulenta.

O episódio segue dividindo interpretações. Para críticos, foi um golpe parlamentar conduzido com base em pretextos frágeis; para defensores, uma resposta constitucional diante de manobras fiscais e perda de legitimidade política. O certo é que o impeachment de Dilma não terminou em 2016: continua a pautar alianças, disputas e narrativas.

Dilma perdeu o mandato, mas teve os direitos políticos preservados pelo Senado.

Dilma perdeu o mandato, mas teve os direitos políticos preservados pelo Senado.Montagem sobre foto de Wilson Dias/Agência Brasil

Da popularidade ao colapso político

As raízes da crise remontam às Jornadas de Junho de 2013, que abalaram a confiança no governo e reduziram a aprovação de Dilma de 57% para 30%. Logo depois, o Brasil mergulhou na mais grave recessão desde o Plano Real, com o PIB encolhendo 3,8% em 2015 e 3,6% em 2016. A inflação subiu, o desemprego disparou e o ambiente de insatisfação se generalizou.

A Operação Lava Jato, em pleno auge, deslocou o centro do debate público para a corrupção. Nesse cenário, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB-RJ), pressionado por acusações e em rota de colisão com o governo, aceitou o pedido de impeachment em 2 de dezembro de 2015. O gesto foi interpretado como retaliação ao PT, que apoiava sua cassação no Conselho de Ética, e desencadeou o processo que se arrastaria por 273 dias.

Ascensão e queda: principais momentos da trajetória de Dilma

Ascensão e queda: principais momentos da trajetória de DilmaArte Congresso em Foco

Cunha, Lava Jato e o clima de ruptura

Cunha simbolizou o fortalecimento do Congresso como ator central. Depois dele, a correlação de forças entre Legislativo e Executivo não foi mais a mesma. Sua decisão revelou que a sobrevivência de um governo dependia menos da aprovação popular e mais da capacidade de articulação no Legislativo. O impeachment abriu, assim, um precedente que transformou o afastamento presidencial em instrumento recorrente de pressão.

Ao mesmo tempo, a Lava Jato reforçava a atmosfera de "faxina ética". O ponto mais explosivo veio em março de 2016, quando o juiz Sergio Moro divulgou o áudio de uma conversa entre Dilma e Lula sobre sua nomeação como ministro da Casa Civil. A liberação, considerada irregular pelo STF, inflamou protestos e fortaleceu a narrativa de que o governo buscava blindagem judicial. Moro pediria desculpas dias depois, mas o impacto já estava dado: o áudio havia incendiado a política e as ruas. Lula teve sua nomeação barrada. Sua capacidade de articulação política - um dos maiores pontos fracos de Dilma, era vista por aliados como caminho para a salvação do mandato da presidente.

O julgamento e a voz de Dilma

A Câmara autorizou o processo em abril de 2016 por 367 votos a 137. Entre os votantes, um deputado do chamado baixo clero dedicou seu voto pelo impeachment ao torturador de Dilma, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. A declaração de Jair Bolsonaro gerou processo por apologia à tortura e críticas ao parlamentar. Mas também seduziu uma parte do eleitorado, que o levou ao Palácio do Planalto e o acompanha até hoje, às vésperas de ser julgado no Supremo Tribunal Federal.

Em 12 de maio de 2016, os senadores aprovaram a admissibilidade do processo, o que levou ao afastamento da presidente por 180 dias. Em seu lugar, assumiu o vice, Michel Temer (MDB), acusado por ela e aliados de participar ativamente de sua queda.

No Senado, sob relatoria de Antonio Anastasia (PSDB-MG), o julgamento político de Dilma se estendeu por seis dias e mais de 60 horas de sessões. Em discurso de defesa, a petista negou as acusações. "Estou sendo julgada injustamente. Não cometi crime de responsabilidade. Estão usando pretextos para derrubar uma presidenta eleita legitimamente por 54 milhões de brasileiras e brasileiros. Tenho medo apenas da morte da democracia", afirmou.

Apesar dos argumentos da defesa, Dilma foi condenada por 61 votos a 20. Em votação destacada, o Senado preservou seus direitos políticos (42 a 36).

As ruas divididas

O impeachment consolidou a rua como arena política. Em 13 de março de 2016, cerca de 500 mil pessoas lotaram a Avenida Paulista pedindo a saída de Dilma. Movimentos contrários reagiram com atos em Brasília, Porto Alegre e Belo Horizonte, denunciando o processo como golpe. Essa divisão antecipou o ciclo de protestos que se repetiria nos anos seguintes, incluindo os atos pró-Bolsonaro e as manifestações contra ele. O Brasil se dividia. Líderes dos movimentos pró-impeachment nasciam para a política, no embalo do discurso antissistema. Vários deles, como Carla Zambelli e Kim Kataguiri, chegariam ao Congresso em 2018.

Temer e a guinada econômica

Com a saída de Dilma, Michel Temer assumiu a Presidência em definitivo e conduziu um governo de transição com perfil liberal-reformista. Entre 2016 e 2018, aprovou o teto de gastos (Emenda Constitucional 95), a reforma trabalhista, a lei da terceirização, a reforma do ensino médio e novas regras de financiamento do BNDES.

Apesar da força no Congresso e da capacidade de barrar duas denúncias criminais, Temer não conseguiu aprovar a reforma da Previdência e terminou com aprovação baixíssima, em torno de 4%. Sua impopularidade descarregou ainda mais combustível sobre um eleitorado antipolítica que seria capitalizado por Jair Bolsonaro em 2018.

As marcas institucionais e políticas

O impeachment deixou legados que ainda moldam 2025:

  • Coalizões frágeis: expôs a dependência de presidentes de alianças instáveis e negociadas em torno de cargos e recursos.
  • Judicialização: ampliou o protagonismo do Judiciário e do Ministério Público, colocando-os no centro das disputas.
  • Ruas como arena: protestos se consolidaram como mecanismo de pressão decisivo.
  • Rearranjo partidário: implodiu o eixo PT-MDB-PSDB, abrindo espaço para novas forças, sobretudo a extrema direita.
  • Precedente institucional: empoderou o Congresso e naturalizou o impeachment como solução para crises de governabilidade.

Dilma e Bolsonaro

Com os direitos políticos preservados, Dilma disputou o Senado por Minas Gerais em 2018, mas ficou em quarto lugar. Fora das urnas, no entanto, reconquistou protagonismo: em 2023, foi indicada por Lula para presidir o Novo Banco de Desenvolvimento (Brics), em Xangai, cargo para o qual foi reconduzida em 2025.

Algoz de Dilma em 2016, Jair Bolsonaro caminha para a condenação no Supremo por tentativa de golpe. O julgamento começa na próxima terça-feira (2) e deve durar cinco sessões. Bolsonaro está em prisão domiciliar e é acusado de liderar a trama golpista que, segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República, tentou impedir a posse de seu sucessor. Também está inelegível até 2030 por determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Lula e Cunha

Lula, que teve sua posse na Casa Civil impedida pela Justiça, foi julgado e condenado em dois processos por corrupção e lavagem de dinheiro. Foi excluído da eleição de 2018, vencida por Bolsonaro, e preso por 580 dias. De lá para cá, viu suas condenações serem anuladas após ser apontado conluio entre Ministério Público e Justiça, e voltou à Presidência, derrotando o capitão reformado por pequena margem. Embora com popularidade em baixa, Lula é o favorito para as eleições de 2026, de acordo com as pesquisas mais recentes.

Responsável por detonar o processo que ejetou Dilma do Planalto, Eduardo Cunha passou cerca de três anos e cinco meses preso, após ser detido em 2016 na Lava Jato. Ele acumulou várias condenações por corrupção e lavagem de dinheiro, incluindo penas de até 24 anos e 10 meses, mas em 2023 o STF anulou sua principal sentença, de quase 16 anos, e enviou o caso à Justiça Eleitoral. Embora não tenha condenação definitiva, continua respondendo a processos por corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral. Em 2022 tentou voltar à Câmara, por São Paulo, mas não se elegeu.

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extrema direita impeachment democracia Dilma Rousseff impeachment de Dilma Eduardo Cunha Jair Bolsonaro

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