Entrar

    Cadastro

    Notícias

    Colunas

    Artigos

    Informativo

    Estados

    Apoiadores

    Radar

    Quem Somos

    Fale Conosco

Entrar

Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigos
  1. Home >
  2. Notícias >
  3. Anistia a réus de 8 de janeiro tende a ser derrubada no STF, entenda

Publicidade

Publicidade

Receba notícias do Congresso em Foco:

E-mail Whatsapp Telegram Google News

JUDICIÁRIO

Anistia a réus de 8 de janeiro tende a ser derrubada no STF, entenda

Jurista explica que, mesmo se aprovada no Congresso Nacional, propostas de anistia permanecem juridicamente frágeis.

Congresso em Foco

29/8/2025 | Atualizado às 16:32

A-A+
COMPARTILHE ESTA NOTÍCIA

Passados 46 anos desde a aprovação da Lei da Anistia, que permitiu o retorno de políticos exilados durante a ditadura militar, o tema retorna à centralidade nos debates do Congresso Nacional. O novo cenário é muito diferente do que estava estabelecido em 1979: a demanda nasce após um ataque deliberado às sedes dos três Poderes. Os principais beneficiados ocupam o banco dos réus em processos televisionados, julgados por um Judiciário que não mais precisa se preocupar com pressões de um Executivo desenhado por militares após um golpe de Estado.

Nessa conjuntura, a anistia demandada pelo grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro aos réus por envolvimento direto ou indireto nos ataques de 8 de janeiro de 2023 enfrentaria muita dificuldade para se sustentar, mesmo se aprovada pelo Congresso. Se levada a discussão ao Supremo Tribunal Federal (STF), a tendência maior seria pela sua declaração de inconstitucionalidade.

STF já possui histórico de negar perdão a crimes contra o Estado Democrático de Direito.

STF já possui histórico de negar perdão a crimes contra o Estado Democrático de Direito.Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

O advogado Antonio Rodrigo Machado, professor do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e mestre em direito administrativo e penal, explica que a tendência maior no ordenamento jurídico brasileiro é a de não reconhecer a legitimidade de um perdão a atos que atentem contra o Estado Democrático de Direito.

"Alguns doutrinadores já vêm fazendo análise da inconstitucionalidade dos projetos de lei que foram apresentados. (...) Na política é possível que exista uma votação, que exista essa definição, mas é mais do que possível, é provável que nós teremos um controle condicional de eventual medida legislativa aprovada nesse sentido", explica o jurista.

Confira a fala do advogado:

O Supremo já possui um exemplo de perdão judicial anulado por compreender que o beneficiado não poderia deixar de cumprir pena por atentar contra o Estado de Direito: o caso do ex-deputado Daniel Silveira, condenado à prisão após incitar violência contra ministros do STF. A sentença foi mantida mesmo após o então presidente Bolsonaro conceder graça presidencial.

Além do debate doutrinária envolvendo a constitucionalidade de uma eventual anistia, Machado acrescenta que o próprio STF já reconheceu os atos de 8 de janeiro como tentativa de quebra da ordem democrática, impondo uma resposta institucional. "O STF não vai abrir mão do seu poder de punir cidadãos que praticaram crimes contra o Estado", antecipa.

Anistia restrita

Enquanto Bolsonaro e aliados de primeira ordem defendem uma anistia "ampla, geral e irrestrita" aos réus de 8 de janeiro, parlamentares mais próximos do centro cogitam a possibilidade de uma anistia limitada, na qual são perdoados os réus por participação direta nos ataques à Praça dos Três Poderes, mas mantidas as ações penais contra atores políticos, intelectuais e econômicos.

Machado considera que essa versão teria menor fragilidade se comparada com a mais ampla. "Com relação a processos penais, quanto mais restrito, quanto mais específico, a chance disso ser considerado algo válido seria maior", indicou. No entanto, as condutas em questão permaneceriam dentro do rol de crimes contra o Estado de Direito, mantendo aberta a margem para uma declaração de inconstitucionalidade.

Leia Mais

Congresso tem mais de dez projetos de anistia a réus pelo 8 de janeiro

Caminho radical

Diante da fragilidade jurídica de um eventual projeto de lei aprovado que trate da anistia aos réus de 8 de janeiro, há um outro caminho legislativo que, de acordo com Machado, poderia livrar de fato Bolsonaro e demais réus na ação penal do golpe de uma eventual condenação. Trata-se de uma solução radical: a revogação dos artigos do Código Penal que tipificam os crimes contra o Estado de Direito.

Por esse caminho, não apenas Bolsonaro ficaria livre do processo, como acabariam anuladas as sentenças a muitos dos réus condenados nas ações anteriores. O custo institucional, por outro lado, seria incalculável: isso significaria não apenas o enfraquecimento do Judiciário, mas do próprio Congresso Nacional, que também ficaria exposto a ataques externos.

"Teríamos uma declaração evidenciada por parte do Poder Legislativo de que atos destinados até a supressão dos seus poderes poderiam vir a ser tomados e não seriam consideradas figuras tipificadas como crime", apontou. Com isso, apesar de uma mudança na lei poder ser muito mais efetiva do ponto de vista jurídico, esse caminho pode enfrentar muita dificuldade para alcançar apoio político.

Siga-nos noGoogle News
Compartilhar

Tags

8 de janeiro anistia Jair Bolsonaro STF

Temas

Judiciário Congresso

LEIA MAIS

Judiciário

Suspensão de leis estaduais e planos de saúde estão na pauta do STF

Judiciário

PGR se opõe à presença de agentes da PF dentro da casa de Bolsonaro

Eleitoral

STF forma maioria contra penhora de fundos partidários em campanha

NOTÍCIAS MAIS LIDAS
1

MEIO AMBIENTE

Comissão de Meio Ambiente aprova proibição do fipronil na agricultura

2

Regularização Fundiária

Câmara aprova prorrogação do prazo para regularizar imóveis rurais

3

Reforma tributária

Braga e Haddad definem cronograma da 2ª etapa da reforma tributária

4

CARBONO OCULTO

Receita cita "contaminação" da Faria Lima pelo crime organizado

5

MEMÓRIAS DA DITADURA

46 anos da Lei da Anistia: sessão do Congresso teve vaias e socos

Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosFale Conosco

CONGRESSO EM FOCO NAS REDES