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MAL-ESTAR DIPLOMÁTICO
Congresso em Foco
19/11/2025 10:55
O Senado aprovou nessa terça-feira (18) um voto de censura contra o chanceler alemão Friedrich Merz, em reação às declarações feitas por ele sobre Belém, cidade que sedia a COP30. O requerimento, apresentado pelo senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), recebeu apoio do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), e de outros senadors. O gesto simbólico de protesto será enviado ao governo alemão pelo Itamaraty como manifestação oficial de repúdio.
Durante um evento em Berlim, Merz relatou que jornalistas alemães que acompanharam a COP30 "ficaram felizes" por deixar Belém e retornar à Europa. "Perguntei a alguns jornalistas que estiveram comigo no Brasil na semana passada: 'Quem gostaria de ficar aqui?. Ninguém levantou a mão. Todos ficaram contentes por termos retornado à Alemanha, especialmente daquele lugar onde estávamos".
A fala provocou reação imediata no Brasil, mobilizando parlamentares, prefeitos, governadores e o presidente Lula.
Reação do Senado
No Plenário, Zequinha Marinho afirmou que as declarações do chanceler "não são apenas infelizes", mas carregam "um tom xenófobo e preconceituoso" e desrespeitam "não apenas a cidade de Belém, mas todo o povo brasileiro e, sobretudo, a Amazônia".
O senador reforçou que "a COP30 é uma oportunidade para que os países assumam compromissos reais e ambiciosos. Belém foi escolhida justamente por estar no coração da Amazônia, onde se trava a batalha mais importante contra o aquecimento global".
Randolfe Rodrigues e Davi Alcolumbre classificaram as declarações como "inadmissíveis" e defenderam a aprovação imediata do voto de censura. Com a decisão, o documento passa a representar a posição institucional do Senado brasileiro.
A resposta de Lula
Em agenda em Xambioá (TO), o presidente Lula criticou a postura do chanceler alemão, embora sem citá-lo nominalmente. O discurso foi direto: "O primeiro-ministro da Alemanha esses dias se queixou: 'Ah, eu fui no Pará, mas eu voltei logo, porque eu gosto mesmo é de Berlim. Ele, na verdade, devia ter ido a um boteco no Pará. Ele deveria ter dançado no Pará. Ele deveria ter provado a culinária do Pará, porque ele ia perceber que Berlim não oferece para ele 10% da qualidade que oferece o estado do Pará, a cidade de Belém".
O presidente voltou a defender a escolha da capital paraense como sede da conferência climática. "O Pará saiu do anonimato neste país. Qualquer parte do mundo sabe hoje que existe o estado do Pará, a cidade de Belém, que é pobre, mas tem um povo generoso como pouca parte do mundo", afirmou.
Reações
O prefeito de Belém, Igor Normando (MDB), classificou a declaração de Merz como "infeliz, arrogante e preconceituosa". O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), também criticou o chanceler: "Curioso ver quem ajudou a aquecer o planeta estranhar o calor da Amazônia. Um discurso preconceituoso revela mais sobre quem fala do que sobre quem é falado".
Embora o voto de censura não tenha efeito jurídico direto sobre o governo alemão, ele funciona como instrumento político para registrar a indignação brasileira. A Alemanha é um dos principais financiadores do Fundo Amazônia, e o episódio ocorre em um momento de maior sensibilidade nas discussões internacionais sobre preservação ambiental e responsabilidade dos países desenvolvidos.
O documento será enviado ao governo alemão pelo Ministério das Relações Exteriores. O Itamaraty ainda não informou se emitirá nota diplomática adicional, mas a tendência é tratar o caso com cautela para evitar desgaste maior durante a realização da COP30, que prossegue até sexta-feira (21).
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