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AUMENTO DE TAXAÇÃO
Congresso em Foco
29/11/2025 9:00
O senador Eduardo Braga (MDB-AM) apresentou seu relatório final ao projeto de lei 5.473/2025 com um objetivo central: fechar brechas que permitem fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e o uso de fintechs e apostas irregulares para movimentar dezenas de bilhões de reais por ano. O texto, que será votado na próxima terça-feira (2) pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, traz um conjunto amplo de medidas fiscais e regulatórias que tenta atacar o problema por várias frentes simultâneas.
Segundo Braga, o país enfrenta "um nível de ilegalidade jamais visto", com um montante entre R$ 50 bilhões e R$ 150 bilhões circulando anualmente no sistema bancário por meio de operações clandestinas, boa parte ligada a apostas não autorizadas e instituições de pagamento sem supervisão adequada.
"Não estamos mais falando de assaltar caixa eletrônico. Agora o crime retira bilhões de reais, via Pix, via contas irregulares. É uma sangria que atinge milhões de brasileiros", afirmou o relator.
O parecer incorpora 20 das 176 emendas apresentadas pelos senadores e foi descrito por Braga como "um comando legal" para substituir portarias e resoluções que se mostraram insuficientes para conter a ilegalidade. O projeto é de autoria do senador Renan Calheiros (MDB-AL).
O que o relatório muda: quatro eixos essenciais
Braga estruturou o relatório em quatro grandes pilares: fiscalização financeira, tributação das fintechs, aumento gradual de impostos sobre bets e um programa de regularização para pessoas físicas de baixa renda.
A seguir, os pontos principais, explicados de forma direta:
1. Fiscalização financeira mais rígida e integrada
O texto cria uma nova moldura legal para combater fraudes e lavagem de dinheiro. Em vez de normas esparsas, passa a existir uma lei clara, com punições e obrigações específicas.
Bancos e instituições de pagamento terão de produzir relatórios de conformidade detalhando:
Instituições serão obrigadas a aderir a plataformas compartilhadas de prevenção a golpes eletrônicos.
Regras rígidas para o Pix
O Banco Central deve criar mecanismos que impeçam o uso do Pix por operadores ilegais, como filtros automáticos e marcações específicas.
Proibição de vínculos com apostas clandestinas
2. Tributação escalonada para fintechs e instituições financeiras
Braga propõe uma revisão gradual da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) para corrigir distorções entre bancos tradicionais e novas empresas financeiras.
Como fica a CSLL para fintechs e equiparadas
Para sociedades de capitalização e crédito
Segundo o relator, fintechs lucrativas com operações complexas pagam menos tributo que bancos "executando as mesmas funções", o que distorce a competição.
3. Aumento gradual dos tributos das bets e novas regras de controle
O relatório também redimensiona a tributação das casas de apostas autorizadas, num modelo que o governo considera mais sustentável.
GGR (Receita Bruta de Jogo)
Parte dessa arrecadação será usada para compensar estados e municípios pela perda de receita do IR retido na fonte causada pela nova faixa de isenção do Imposto de Renda.
Regras mais duras para o setor
O Ministério da Fazenda pode negar autorização quando houver dúvida sobre a estrutura da empresa.
Braga afirma que o setor de apostas tem sido "porta de entrada para redes criminosas internacionais" e que a regulação precisa ser "firme e permanente".
4. Regularização tributária para pessoas físicas de baixa renda
O relatório incorpora a criação do Pert-Baixa Renda, programa para renegociar dívidas de contribuintes com:
Quem recebe até R$ 5 mil mensais terá acesso integral ao desconto e aos benefícios.
O valor mínimo das parcelas é de R$ 200.
Ao aderir, o contribuinte reconhece a dívida e abre mão de outros parcelamentos.
Ajustes tributários adicionais: JCP, lucros no exterior e IR
O parecer também corrige pontos deixados de fora da reforma do Imposto de Renda (PL 1.087/2025):
A audiência da CAE desta semana, com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o chefe do Coaf, Ricardo Saadi, reforçou a avaliação de que o país enfrenta um volume de transações ilegais incompatível com a capacidade atual de fiscalização.
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