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Congresso em Foco
28/1/2026 17:00
Ao analisar o cenário eleitoral, a deputada Heloísa Helena (Rede-RJ) afirma que a direita segue politicamente forte no Brasil, mas avalia que, no momento, não reúne condições para vencer uma eleição presidencial. Em entrevista exclusiva ao Congresso em Foco, ela disse que a experiência recente do bolsonarismo, especialmente durante a pandemia, ainda pesa contra o campo conservador, embora o risco de reorganização permaneça.
"Eu acho que eles são muito fortes", afirmou, ao ser questionada sobre a possibilidade de retorno da direita ao poder. Segundo a deputada, o erro de subestimar adversários já ocorreu no passado e não pode ser repetido. Ela lembrou que, antes da eleição de 2018, Jair Bolsonaro era visto como um nome sem viabilidade. "Eu lembro, assim, com muita clareza, quando todo mundo dizia, e eu também, muita gente dizia que o Bolsonaro não tinha condição de se eleger, porque, na verdade, ele não era, naquele momento, o candidato da elite política e econômica", disse.
Para Heloísa Helena, o apoio posterior de setores econômicos ao ex-presidente explica parte de sua ascensão. "Anos depois, ficaram ao lado dele, porque ficam ao lado de qualquer um que esteja no poder e que se submeta especialmente ao capital financeiro", afirmou.
Apesar disso, a deputada avalia que o grupo de Bolsonaro perdeu uma oportunidade histórica. "Acho que eles perderam a chance, porque junto veio a própria posição fria e beirando o cinismo do Bolsonaro, que se comportou como um soldado covarde, sem honra, deixando feridos para trás, especialmente na pandemia", declarou.
Na leitura dela, a força social da direita ainda é perceptível, sobretudo no cotidiano das periferias, mas não se traduz automaticamente em vitória eleitoral nacional. "Eu considero que eles são muito fortes, mas não vejo hoje a possibilidade de que eles tenham força eleitoral suficiente para ganhar uma eleição nacional", afirmou.
"Vida real" como termômetro político
Heloísa Helena disse que sua avaliação não se baseia apenas em pesquisas ou no debate virtual, mas no contato direto com eleitores. "Eu comecei a identificar a possibilidade no que eu chamo da vida real das pessoas, já que é na periferia, nos lugares onde eu ando, as pessoas que eu paro para conversar", afirmou.
Ela ressaltou que mantém práticas de militância tradicionais. "Como eu sou das antigas, eu sou daquelas que ainda fazem panfletagem, para para conversar com as pessoas", disse.
Segundo a deputada, o cotidiano da população expõe contradições profundas que precisam entrar no centro do debate eleitoral. "Você todos os dias vê nas redes sociais pessoas pobres fazendo vaquinha para conseguir um leito, um procedimento cirúrgico, um determinado exame ou uma medicação", afirmou.
Para ela, esse cenário torna inaceitável a naturalização de indicadores sociais críticos. "Você estar num país e achar normal que o principal problema de saúde pública da juventude de 15 a 29 anos ser violência letal e intencional, você achar que isso é normal? Eu não acho", disse.
Críticas ao modelo em disputa
Heloísa Helena também alertou que a discussão eleitoral não pode se restringir a nomes. "Tem uma grande preocupação com qual modelo nós vamos nos comprometer", afirmou. Segundo ela, a definição de alianças deve ser precedida por um debate programático consistente.
Ela citou como exemplo decisões recentes do governo federal que, segundo disse, precisam ser enfrentadas no debate político. "O governo Lula, há dois meses, abriu o decreto executivo privatizando três grandes rios da Amazônia", afirmou, acrescentando que também foi mantida a privatização do rio São Francisco.
"Privatizar a Chesf significa privatizar toda a gestão do único grande rio que nasce em Minas, mas é o rio São Francisco no Nordeste", disse. Para a deputada, medidas desse tipo ampliam conflitos sociais e ambientais e precisam ser discutidas de forma transparente no processo eleitoral.
Ela também criticou a concentração de recursos públicos. "Mais da metade do orçamento público jogada para o capital financeiro", afirmou, ao relacionar o tema orçamentário ao debate eleitoral.
Mandato sem cálculo eleitoral
Mesmo inserida no debate sobre o futuro político do país, Heloísa Helena afirmou que sua atuação no mandato atual não será guiada por estratégias eleitorais. "Eu tenho obrigação de fazer esses três meses de mandato relâmpago, porque só são praticamente três meses, de fazer com honra, com coragem e sem pensar em reeleição, sem pensar em nada", declarou.
Segundo ela, o compromisso é com a coerência política e com os setores mais vulneráveis da sociedade. "O que sempre moveu meus passos são as pessoas em maior grau de vulnerabilidade econômica, social, ambiental", afirmou.
Ao resumir sua postura diante do cenário eleitoral, a deputada reforçou que não pretende suavizar críticas nem evitar temas difíceis. "Eu não vou lamber o rastro por onde passa o poder, abrir mão da pressão que minha consciência faz, minha classe de origem, minhas convicções ideológicas e programáticas", disse.
Senadora entre 1999 e 2007, Heloísa Helena voltou ao Congresso em dezembro, após 18 anos, para assumir a vaga aberta com a suspensão do deputado Glauber Braga (Psol-RJ), por quebra de decoro parlamentar. Ela deve exercer o mandato até junho, quando acaba a punição do deputado do Psol.
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