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EX-PRESIDENTE PRESO
Congresso em Foco
29/1/2026 10:08
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), visita nesta quinta-feira Jair Bolsonaro (PL) no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como "Papudinha", onde o ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão. O encontro ocorre após autorização do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e sucede um episódio de desgaste político envolvendo declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A visita acontece depois de ter sido cancelada na semana passada, em meio à repercussão negativa de falas de Flávio sobre o conteúdo da conversa que ocorreria entre o governador e o ex-presidente. O senador afirmou publicamente que Bolsonaro defenderia que Tarcísio se concentrasse na reeleição em São Paulo, descartando qualquer possibilidade de candidatura presidencial em 2026. A antecipação do recado foi mal recebida por aliados do governador, que interpretaram a declaração como uma tentativa de enquadramento político e de exposição de uma conversa tratada até então como pessoal.
Diante da repercussão, Tarcísio cancelou a viagem que faria a Brasília, alegando compromissos no estado. A visita desta quinta-feira é vista por aliados como um gesto de distensão, mas não elimina as disputas internas no campo conservador sobre o papel do governador paulista no cenário nacional de 2026.
Sinais de alinhamento
Na véspera da viagem, Tarcísio recebeu no Palácio dos Bandeirantes o ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL), em encontro mantido fora da agenda oficial. A reunião foi interpretada como uma espécie de "antecâmara" da visita ao ex-presidente e um movimento para reafirmar o alinhamento com a família Bolsonaro.
Nas redes sociais, Carlos afirmou que a ida a São Paulo teve o aval do pai e dos irmãos e que o objetivo era "dar um abraço" no governador, a quem chamou de "eterno ministro", em referência ao período em que Tarcísio comandou o Ministério da Infraestrutura. O governador respondeu no mesmo tom, afirmando que o filho do ex-presidente tem "crédito" permanente de amizade e respeito.
O encontro ocorreu um dia após Tarcísio reafirmar publicamente que não pretende disputar a Presidência da República em 2026. Em entrevista a uma rádio de Sorocaba, o governador foi taxativo ao dizer que recusaria um eventual convite de Bolsonaro para liderar uma chapa presidencial. "É muito tranquilo para mim dizer não", afirmou, destacando seu compromisso com a reeleição em São Paulo e citando o desgaste político de antecessores que usaram o estado como trampolim para o Planalto.
Ruído com Flávio
Tarcísio também negou ter protagonizado uma discussão acalorada com Flávio Bolsonaro, escolhido pelo pai como pré-candidato do grupo à Presidência. Segundo o governador, informações sobre atritos foram distorcidas nos bastidores. "Não estou frustrado, não. Nem vou falar isso na quinta-feira para o Bolsonaro, até porque isso não existe", disse.
Aliados relatam, no entanto, que o governador se incomodou com a exposição pública do suposto recado transmitido por Flávio, o que teria esvaziado politicamente a visita inicialmente marcada. A avaliação é que a antecipação do discurso reforçou a percepção de tentativa de controle sobre o futuro político de Tarcísio.
Mesmo preso, Jair Bolsonaro permanece como figura central nas articulações do campo conservador. A visita desta quinta-feira será o primeiro encontro presencial entre ele e Tarcísio desde a prisão do ex-presidente e desde a oficialização da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, em dezembro. O último encontro entre os dois ocorreu em setembro do ano passado, quando Bolsonaro ainda cumpria prisão domiciliar.
Antes do adiamento da visita, Tarcísio havia afirmado que o encontro tinha caráter pessoal. "Vou lá visitar um amigo, sobretudo um grande amigo, manifestar meu apoio e ver se ele está precisando de alguma coisa", disse em evento no interior paulista.