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Fraude no INSS

Lula afirma ter conversado com filho sobre suspeitas na CPMI do INSS

Nome de Fábio Luís Lula da Silva aparece em apurações da CPMI sobre esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS.

Congresso em Foco

6/2/2026 | Atualizado às 17:23

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter conversado com seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, após seu nome ser citado na CPMI do INSS.

"Quando saiu o nome do meu filho, eu o chamei aqui, olhei no olho do meu filho e falei: 'Olha, só você sabe a verdade. Só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço de ter alguma coisa. Se você não tiver, se defenda, porque é assim que eu trato as coisas com muita seriedade", disse o presidente em entrevista ao portal Uol, na quinta-feira (5).

Convocação

No final do ano passado, o partido Novo apresentou um requerimento de convocação de Lulinha, apontando "possíveis vínculos" entre operadores do esquema de descontos irregulares em aposentadorias e pessoas próximas ao presidente. A justificativa mencionava depoimentos e documentos recebidos pela comissão. O pedido, no entanto, foi rejeitado pelo colegiado.

Segundo os autores do pedido, o advogado Eli Cohen relatou à CPMI a existência de um esquema fraudulento que, por mais de 15 anos, teria desviado recursos de aposentados e pensionistas com a atuação de associações, lobistas e empresas intermediárias, supostamente amparados por "blindagem política e conexões estratégicas".

O documento também mencionava informações de inteligência financeira encaminhadas à comissão, segundo as quais a empresa ADS Soluções e Marketing teria movimentado dezenas de milhões de reais provenientes de entidades investigadas no caso conhecido como "Farra do INSS".

De acordo com o requerimento, parte desses valores — R$ 120 mil em conta pessoal e R$ 8,29 milhões em empresa ligada ao caso — teria sido destinada ao dirigente nacional do PT Ricardo Bimbo. Ainda segundo o texto, Bimbo teria pago um boleto de R$ 10.354,60 ao contador João Muniz Leite, que prestava serviços a Lulinha e é investigado pelo Ministério Público de São Paulo na Operação Fim da Linha, por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC.

Pedido de quebra de sigilo

Na terça-feira (3), o relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), protocolou pedido de quebra de sigilos bancário e fiscal de Lulinha.

Segundo o parlamentar, a solicitação se baseia em mensagens interceptadas pela Polícia Federal nas quais o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, ao comentar o destino de um pagamento de R$ 300 mil, teria mencionado "o filho do rapaz". De acordo com o relator, a PF interpreta a referência como sendo dirigida a Lulinha, com a empresária Roberta Luchsinger apontada como intermediária.

O requerimento também cita suspeita de obstrução de Justiça e a hipótese de que Lulinha teria atuado como "sócio oculto" do lobista em empreendimentos ligados à cannabis medicinal, supostamente financiados com recursos desviados do INSS. Entre os elementos mencionados estão viagens em conjunto e possível pagamento de despesas pessoais, o que, segundo o relator, justifica o rastreamento das movimentações financeiras.

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