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INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Congresso em Foco
19/2/2026 | Atualizado às 10:34
O presidente Lula afirmou nesta quinta-feira (19), em Nova Délhi, na Índia, que a governança da inteligência artificial precisa ser multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento. Ao discursar na sessão plenária da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, o presidente alertou que, sem coordenação internacional, a tecnologia poderá aprofundar desigualdades e ameaçar democracias.
"A quarta revolução industrial avança rapidamente enquanto o multilateralismo recua perigosamente. É nesse contexto que a governança global da inteligência artificial assume um papel estratégico", afirmou.
Segundo Lula, o modelo de regulação da IA definirá a distribuição de poder no mundo digital. "Colocar o ser humano no centro das nossas decisões é tarefa urgente. O regime de governança dessas tecnologias definirá quem participa, quem é explorado e quem ficará à margem desse processo", disse.
O presidente citou dados da União Internacional de Telecomunicações segundo os quais 2,6 bilhões de pessoas ainda estão desconectadas da internet, o que amplia o desafio de inclusão digital.
Tecnologia com "caráter dual"
Lula destacou que a inteligência artificial tem potencial transformador, mas também carrega riscos significativos. Comparou a IA a marcos históricos como a aviação, o uso do átomo e a engenharia genética, que ampliaram o bem-estar, mas também geraram dilemas éticos e políticos.
"Toda inovação tecnológica de grande impacto possui caráter dual", afirmou.
De um lado, segundo ele, a IA pode elevar a produtividade industrial, melhorar serviços públicos e fortalecer áreas como saúde, segurança alimentar e energia. De outro, pode fomentar armas autônomas, discursos de ódio, desinformação e interferência eleitoral.
"Conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia", alertou.
Críticas à concentração de poder
O presidente também defendeu a regulamentação das grandes empresas de tecnologia. Para ele, capacidade computacional, infraestrutura e capital estão concentrados em poucos países e conglomerados privados.
"Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação", afirmou.
Lula criticou o modelo de negócios baseado na exploração de dados pessoais e na monetização de conteúdos que amplificam radicalização política. Segundo ele, a regulação das big techs é necessária para proteger direitos humanos, garantir a integridade da informação e preservar as indústrias criativas.
Agenda brasileira
No discurso, Lula destacou que o Brasil lançou, em 2025, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, com foco na melhoria dos serviços públicos e na geração de emprego e renda. Também mencionou discussões no Congresso sobre um marco regulatório para a IA.
No plano internacional, defendeu que a Organização das Nações Unidas seja o espaço central para a construção de regras globais sobre a tecnologia.
A cúpula em Nova Délhi integra o chamado Processo de Bletchley, série de encontros intergovernamentais iniciada no Reino Unido, em 2023, para discutir segurança e governança da inteligência artificial.
Encontro com o Google
Durante a agenda na Índia, Lula também se reuniu com o CEO do Google, Sundar Pichai. Segundo o presidente, o executivo ressaltou a importância do Brasil para a empresa e mencionou investimentos no país, como o Centro de Engenharia em São Paulo.
Lula apresentou a estratégia brasileira para a área, incluindo a atração de investimentos em datacenters e iniciativas de digitalização de serviços públicos. A reunião também tratou de riscos associados ao uso da IA, especialmente em relação a mulheres e meninas, e de propostas de proteção à indústria criativa.
Ao encerrar o discurso, o presidente reforçou que o avanço tecnológico não é neutro e que o futuro da inteligência artificial dependerá das decisões políticas tomadas agora. "Sem ação coletiva, a inteligência artificial aprofundará desigualdades históricas", afirmou.
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