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MEMÓRIA

Antes de Andrew, última prisão na realeza britânica foi há 377 anos

Andrew Windsor é o primeiro membro da Família Real britânica preso desde o século XVII.

Congresso em Foco

19/2/2026 18:52

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Nesta quinta-feira (19), a polícia britânica prendeu o ex-duque de York e ex-príncipe do Reino Unido, Andrew Mountbatten-Windsor, investigado por má conduta em cargo público. Irmão do rei Charles III, o aristocrata acumula um longo histórico de relações controversas com o empresário americano Jeffrey Epstein, que se suicidou em 2019 em meio ao seu julgamento por tráfico de pessoas e abuso sexual contra múltiplas vítimas.

Correndo risco de prisão perpétua diante de supostos vazamentos de documentos confidenciais a Epstein, Andrew Windsor é o primeiro membro da Família Real britânica a ser preso desde o século XVII, podendo também ser também o primeiro a sofrer uma condenação judicial nesse período. A última vez em que isso aconteceu foi há 377 anos.

Tal como o príncipe Andrew, Charles I detinha o título de duque de York.

Tal como o príncipe Andrew, Charles I detinha o título de duque de York.National Gallery of Ireland/Wikimedia Commons

Curiosamente, o último caso envolveu um monarca que carrega o mesmo nome do rei atual. Charles I governou as ilhas britânicas entre 1625 e 1647, quando foi derrotado e preso após a maior guerra civil na história do país. Em 1649, foi julgado e condenado à morte. Tal como Andrew Windsor, Charles I detinha o título de duque de York antes de assumir o trono.

Reinado de complicações

Charles I nasceu na Escócia, filho de Jaime Stuart, primeiro monarca a unir as coroas da Inglaterra, Escócia e Irlanda. Seu reinado, iniciado em 1625, foi marcado desde o início por complicações no relacionamento com a aristocracia inglesa. Defensor do absolutismo, Charles tentou conter a autoridade do parlamento em um país com longa tradição de controle sobre seus monarcas.

Suas políticas religiosas também geraram ampla insatisfação na nobreza: ainda no início de seu reinado, impôs práticas anglicanas na Escócia, país que possuía sua própria corrente protestante, ao mesmo tempo que se aproximava de famílias católicas no continente europeu.

Entre 1629 e 1640, Charles I tentou governar por conta própria, acumulando rebeliões pelo país. Sem dinheiro para manter seu exército, o rei recorreu ao aumento de impostos. Os novos tributos deveriam ser aprovados em forma de lei pelo parlamento, que foi convocado à contragosto.

O parlamento não cedeu às exigências do monarca, e foi dissolvido em apenas três semanas. Ainda precisando de recursos, Charles I fez uma nova convocação meses depois, novamente falhando em alcançar uma maioria favorável. O novo parlamento tomou precauções para se proteger, restringindo a prerrogativa real de absolvição e obrigando convocações trienais.

A disputa de poder entre o rei e o parlamento perdurou até 1642, quando os dois lados começaram a disputar pelo controle do exército. A crise se aprofundou, culminando em uma guerra civil.

Derrota e prisão

A guerra civil inglesa acabou com a derrota e a captura de Charles I pelos parlamentaristas em dezembro de 1647. No ano seguinte, começou uma segunda rebelião, desta vez promovida por líderes religiosos escoceses e partidários da monarquia inglesa inflamados pelo rei. O conflito foi breve, com nova vitória do parlamento.

Após a guerra, foi criado um tribunal encarregado de julgar o monarca por traição à Inglaterra. O colegiado era formado por 135 representantes indicados pelo parlamento. O julgamento foi um dos mais difíceis da história inglesa, com sucessivos impasses provocados por questionamentos do rei à respeito da legitimidade da Corte. As audiências se prolongaram por sete dias, e Charles I foi condenado à morte.

A Inglaterra passou os anos seguintes tentando se organizar na forma de uma república, até que o filho do falecido rei, Charles II, restaurou a monarquia em 1660.

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