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CPI do Crime Organizado

"Fui julgado sem denúncia", desabafa Marcos do Val sobre 8 de janeiro

Ao pedir depoimento de esposa de Moraes, do Val relembrou uso de tornozeleira e criticou punições sem denúncia da PGR.

Congresso em Foco

25/2/2026 15:08

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Durante a sessão desta quarta-feira (25) da CPI do Crime Organizado no Senado, o senador Marcos do Val (Podemos-ES) transformou o pedido de prioridade para a convocação do banqueiro Daniel Vorcaro em um relato pessoal sobre as medidas cautelares que sofreu nos últimos meses e afirmou ter sido "julgado" antes mesmo de qualquer denúncia formal.

A declaração ocorreu em meio ao debate sobre a aprovação de convocações que alcançam figuras com influência institucional e pedidos que mencionam o ministro Alexandre de Moraes. Durante a discussão, do Val defendeu que convocar não significa condenar e afirmou que a comissão "não está julgando ninguém".

Na intervenção, o senador sustentou que o requerimento para convocar Vorcaro, apresentado por ele em novembro de 2025, não foi pautado com a mesma celeridade de outros pedidos. Ao justificar a convocação, fez referência à inclusão do nome de Moraes em sanções internacionais conhecidas, como a Lei Magnitsky, e mencionou a mulher do ministro ao argumentar que haveria tentativa de contornar restrições financeiras.

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"A questão da Viviane [Barci de Moraes] é muito fácil entender por que nós estamos pedindo a convocação, porque assim que o Alexandre Moraes entrou na Magnitsky, ele ficou sem conseguir recursos, e aí ele foi para o Banco Master botar o nome da mulher dele e da empresa da mulher dele", afirmou. Segundo ele, "por isso que o governo americano botou a mulher dele e a empresa da mulher dele na Magnitsky".

Em seguida, do Val passou a relatar sua própria situação judicial, reforçando que a convocação não implica um julgamento.

"Não tem julgamento nenhum, até porque eu também já fui julgado no dia 8 de janeiro. Vocês lembram disso? Eu fui acusado de tudo e não foi apresentada nenhuma denúncia da PGR. Eu não respondo nem para multa de trânsito."

Em outro trecho, acrescentou:

"Usei tornozeleira eletrônica, em pleno mandato, sem nenhuma decisão da PGR, sem nenhuma multa de trânsito para responder na Justiça, usei tornozeleira eletrônica. Teve salário bloqueado, multa de R$ 50 milhões, ficou negativo R$ 50 milhões."

As declarações fazem referência às medidas impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Em 2024, o Supremo determinou a apreensão de passaportes e o bloqueio de perfis do parlamentar. No ano passado, após viagem aos Estados Unidos sem autorização judicial, Moraes impôs o uso de tornozeleira eletrônica e bloqueios financeiros. Posteriormente, parte das medidas foi revista.

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O requerimento de Vorcaro

Ao defender que seu requerimento, apresentado em novembro de 2025, fosse pautado com urgência, o parlamentar questionou o critério de escolha das matérias analisadas pela comissão.

"Eu fiz um requerimento para convocar o Daniel Vorcaro em novembro de 2025, e se for pela ordem, cadê? Até hoje, e só agora em fevereiro, que todo mundo está sabendo quem é o Daniel Vorcaro. Em novembro já tinha que estar aí na mesa, protocolado o pedido de convocação dele, e até hoje não foi pautado."

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A CPI do Crime Organizado analisa, entre outros pontos, requerimentos relacionados a investigações da Polícia Federal que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro e vínculos entre instituições financeiras e organizações criminosas. O pedido de convocação de Daniel Vorcaro foi apresentado no ano passado com base em desdobramentos da Operação Carbono Oculto, que investiga a atuação de grupos criminosos no sistema financeiro.

A votação do requerimento integra a pauta da comissão, mas a sessão foi marcada pelo embate provocado pelas declarações do senador, que vinculou a defesa da convocação à própria experiência com medidas judiciais e ao que classificou como "injustiça" sofrida nos últimos anos.

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Marcos do Val Alexandre de Moraes Senado CPI do crime organizado

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