Entrar

    Cadastro

    Notícias

    Colunas

    Artigos

    Informativo

    Estados

    Apoiadores

    Radar

    Eleições 2026

    Quem Somos

    Fale Conosco

Entrar

Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosRadarEleições 2026
  1. Home >
  2. Notícias >
  3. Mário Heringer: "Quebra de patente do Mounjaro é bem de saúde pública"

Publicidade

Publicidade

Receba notícias do Congresso em Foco:

E-mail Whatsapp Telegram Google News

Canetas emagrecedoras

Mário Heringer: "Quebra de patente do Mounjaro é bem de saúde pública"

Autor de projeto para baratear canetas emagrecedoras defende que Brasil precisa enfrentar altos preços.

Congresso em Foco

16/3/2026 7:00

A-A+
COMPARTILHE ESTA NOTÍCIA

O deputado Mário Heringer (PDT-MG) rejeitou a hipótese de que a quebra de patente dos medicamentos à base de tirzepatida, como o Mounjaro e o Zepbound, traz insegurança jurídica ao setor. Em entrevista ao Congresso em Foco, o parlamentar defendeu que a preocupação central deve ser a saúde pública e sustentou que o Brasil precisa enfrentar o alto preço desses medicamentos com mais firmeza.

Heringer é autor do projeto de lei 68/2026, responsável por tornar esses medicamentos matéria de interesse público. A medida, que atualmente tramita em regime de urgência na Câmara dos Deputados, busca reduzir o preço das chamadas canetas emagrecedoras, utilizadas no tratamento da obesidade e do diabetes.

Em média, uma caixa com quatro canetas, o equivalente a um mês de tratamento, custa entre R$ 1.400 e R$ 2.400. O parlamentar sustenta que o Brasil, por ser um dos maiores mercados consumidores do mundo, é alvo de preços abusivos que visam explorar os consumidores.

Na avaliação do deputado, que também é médico, a quebra de patente significa também avanço na ciência nacional, porque permite que laboratórios brasileiros estudem a composição do medicamento e avancem em novas tecnologias.

"Não estou preocupado com segurança jurídica, estou preocupado com segurança da saúde do povo brasileiro. Com a quebra de patente, a nossa ciência avança 20 anos e permite que a gente estude a partir de agora. Não temos que ficar esperando."

A patente funciona como título de propriedade temporária sobre uma invenção ou modelo de utilidade, o que proíbe a produção por outros laboratórios e permite o monopólio da marca. Esse selo é concedido pelo Estado e possui, pela Lei 9.279/1996, duração entre 15 e 20 anos.

Como destacou Heringer, o tamanho do mercado nacional poderia ser utilizado como mecanismo para negociar preços melhores, assim como fizeram outros países. Para o deputado, se houvesse mais firmeza por parte do governo brasileiro, o projeto não seria necessário.

O parlamentar afirmou que a empresa responsável não perderia dinheiro ao diminuir os preços uma vez que, com o tratamento mais acessível, mais pessoas teriam condições de realizar o tratamento. Heringer reiterou que o uso faz parte de um tratamento contínuo.

"A Inglaterra compra através do sistema de saúde público a R$ 300. E nós, do Brasil, não sabemos nos impor com relação a preço. A R$ 300 ainda estaria caro, mas seria razoável. O que eu luto, além de criar razoabilidade, é dar acesso às pessoas para usar o Mounjaro."

Economia

Para Heringer, a redução de preços e uma possível incorporação no Sistema Único de Saúde (SUS) não se resumem ao benefício à saúde, mas também podem ser vistas como uma vantagem econômica.

O parlamentar defendeu que, à medida que o medicamento reduz o número de pessoas em sobrepeso, também diminuirá os gastos públicos com cirurgias bariátricas e tratamentos de condições decorrentes da obesidade.

"Já imaginou a quantidade de cirurgia bariátrica que vai reduzir? Vai reduzir a quantidade de doentes internados por diabetes grave, a quantidade de amputações de membro que deixa as pessoas inválidas, a quantidade de pessoas que ficam cegas por causa da retinopatia diabética."

Por esse fator, Heringer entende que a incorporação será "natural" quando o valor do medicamento for reduzido. "Se baixar o preço, vai ser natural que isso aconteça, porque é vantajoso", afirmou.

O parlamentar rebateu às críticas de que existem outras formas de combater a obesidade. Para Heringer, o tratamento da obesidade não pode ser reduzido a discursos genéricos sobre alimentação saudável e atividade física, sem considerar a condição real de quem já está com excesso de peso importante.

"É uma doença multifatorial, tem que ser multidiscutida, tem que mudar a alimentação, tem que fazer atividade física. Tem que fazer, sim. Mas para você fazer isso, precisa emagrecer primeiro."

Como médico, Heringer alertou para as consequências de expor uma pessoa em sobrepeso a condições extremas de exercício. "Não adianta você falar com a pessoa que ela já está apta. Coloque uma pessoa com sobrepeso para correr e veja se o joelho aguenta, para ver se o pulmão aguenta, para ver se o coração aguenta", afirmou.

No entanto, o deputado destacou que o uso deve ser realizado com acompanhamento médico e reiterou que o projeto não busca banalizar o uso do medicamento.

Contrabando

Outro eixo importante do projeto, na visão do deputado, é a relação entre custo elevado e mercado ilegal. Para Heringer, o contrabando da tirzepatida só existe porque o produto continua inacessível para parte dos pacientes. "Se houver preço baixo, o contrabandista não tem sentido de existir", afirmou.

"Vai acabar o contrabando. Porque vai ter no Brasil um preço acessível. Você acha que vai valer a pena? Os contrabandistas estão trazendo porque compram muito barato, é por isso que existe o contrabando."

Heringer citou o Paraguai como exemplo recorrente desse mercado paralelo e disse que a existência da rota ilegal está associada justamente à diferença de preços entre os países. Na visão dele, além de reprimir o contrabando, é necessário reduzir o incentivo econômico que o alimenta.

O deputado esclareceu que o produto paraguaio não é inferior ao comercializado pelo fabricante original. A preocupação com o contrabando em relação à saúde são as condições de transporte e refrigeração a que as canetas emagrecedoras são submetidas, o que pode trazer efeitos nocivos ou retirar o efeito do medicamento.

Apoio na Câmara

Líder do PDT na Câmara dos Deputados, Heringer acompanha o avanço da matéria de dentro do Colégio de Líderes e demonstrou confiança na urgência da tramitação da proposta. O deputado admitiu ter encontrado resistência com o projeto, mas disse acreditar na aprovação iminente.

"Na mesa de líderes, todo mundo unanimemente decidiu votar a urgência. Chegou no Plenário, foram 337 votos a favor da urgência e 19 votos contrários. Então, uma ampla maioria é a favor. Eu creio que a maioria vai votar para aprovar."

Em contato com o deputado escolhido para relatar a matéria, Mersinho Lucena (PP-PB), Heringer afirmou que há uma articulação para realizar audiências públicas com o tema. Na avaliação do autor da proposta, é necessário que haja debates e se escute a oposição.

O deputado reiterou que não enxerga seu texto como intocável e está aberto a alterações. "Eu não tenho a pretensão de aquilo lá ser a Bíblia", disse.

Ao tornar o produto de interesse público, a quebra de patente não é automática. Como explicou Heringer, a proposta abre caminho para a adoção de medidas sobre a patente por meio de decisão do presidente Lula.

"O que nós estamos fazendo é autorizando o presidente da República a declarar o medicamento de importância pública. E aí, ele pode quebrar a patente. Nós não estamos quebrando a patente, estamos dizendo para o presidente que ele pode e deve."

Siga-nos noGoogle News
Compartilhar

Tags

Mounjaro Canetas emagrecedoras câmara dos deputados mario heringer

Temas

Congresso

LEIA MAIS

Assistência Social

Projeto propõe extensão do BPC para cuidadores após morte do titular

Agenda da semana

Pauta da semana na Câmara tem ministros e debate sobre escala 6x1

Direitos trabalhistas

Deputada propõe piso salarial para trabalhadores do comércio e turismo

NOTÍCIAS MAIS LIDAS
Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosFale Conosco

CONGRESSO EM FOCO NAS REDES