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Alcance nacional
Congresso em Foco
22/4/2026 9:00
O presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), Sergio Bandeira de Mello, afirmou que o programa Gás do Povo parte de uma vantagem rara no país, que é a existência de uma rede nacional de distribuição de GLP já pronta e capilarizada.
Em entrevista ao Congresso em Foco, o presidente defendeu que essa estrutura permite que a política pública ganhe escala desde o início, sem a necessidade de montar uma nova logística para chegar às famílias mais vulneráveis. "Estamos falando de 33,5 milhões de botijões de até 13 quilos vendidos por mês, algo como 13 entregas por segundo, porta a porta, em todas as regiões. Quando a infraestrutura já existe, a capacidade de escala vem muito mais rápido", declarou.
Com a previsão de ampliação do programa social para até 15 milhões de famílias, Bandeira de Mello avaliou que o principal efeito estrutural será reforçar o papel social de uma rede já consolidada. O executivo lembrou que o setor reúne cerca de 59 mil revendas autorizadas, gera 330 mil empregos diretos e indiretos e recolhe R$ 11,1 bilhões em impostos por ano.
Segundo Bandeira de Mello, o Brasil levou décadas para construir a atual malha de distribuição e hoje o gás de cozinha está presente em cerca de 91% das residências brasileiras. Na avaliação do presidente do Sindigás, quando a infraestrutura já existe, o alcance social de um programa cresce com muito mais rapidez.
Em relação às discussões regulatórias em curso na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o executivo defendeu cautela para evitar que as mudanças atinjam pilares do setor. Bandeira de Mello reiterou que o debate sobre o gás de cozinha não deve ficar restrito ao preço, porque também traz melhoria para a saúde, o tempo doméstico e a qualidade de vida dos usuários
"A regulação pode evoluir, pode incorporar novos agentes, isso faz parte. Mas existem pontos em que é preciso olhar com bastante cuidado para não desmontar mecanismos que sustentam segurança e previsibilidade. Quando se discute, por exemplo, enchimento fracionado ou responsabilidade sobre recipientes, o debate precisa considerar o efeito real sobre a operação inteira, porque pequenas mudanças regulatórias podem produzir consequências grandes na ponta."
Na avaliação do presidente do Sindigás, alterações aparentemente pequenas podem produzir efeitos amplos na operação. Bandeira de Mello defendeu que a responsabilidade sobre os botijões e o sistema de marcas são centrais nesse arranjo. Segundo o executivo, a marca em alto relevo no recipiente identifica quem responde pela embalagem, pela carga e pelas condições em que o produto chega à casa do consumidor.
Leia a íntegra da entrevista:
O programa encontra uma vantagem rara: ele nasce num país onde a rede já está pronta. O Brasil levou muito tempo para construir essa capilaridade e hoje o GLP já chega a todos os municípios, presente em 91% das famílias. Isso faz diferença porque a política pública não precisa criar uma nova estrutura para começar a funcionar. Ela entra numa engrenagem que já opera todos os dias. Estamos falando de 33,5 milhões de botijões de até 13 quilos vendidos por mês, algo como 13 entregas por segundo, porta a porta, em todas as regiões. Quando a infraestrutura já existe, a capacidade de escala vem muito mais rápido.
O mais importante é que muitas dessas famílias já convivem com o gás de cozinha dentro de casa. O que acontece é que, quando a renda aperta, o botijão passa a ser usado com mais cautela e a lenha volta a ocupar espaço. A família vai alternando os dois para fazer a carga durar mais tempo. O programa atua exatamente nesse ponto: ele ajuda a transformar um uso eventual em uso contínuo. E isso muda bastante o cotidiano, porque reduz a dependência de formas precárias de cocção e traz mais regularidade para algo que já faz parte da vida doméstica de milhões de brasileiros.
Merece, porque quando a gente fala de energia doméstica, está falando também de rotina familiar. O uso da lenha traz fumaça para dentro de casa, aumenta exposição respiratória e ainda consome tempo em tarefas que muitas vezes passam despercebidas no debate público. Há famílias que gastam muitas horas por semana nessa dinâmica, e isso costuma recair sobretudo sobre mulheres e crianças. Quando o GLP consegue entrar com mais regularidade, ele libera tempo, melhora o ambiente doméstico e reduz um tipo de desgaste que normalmente aparece pouco nas discussões sobre energia.
Porque algumas coisas que hoje parecem naturais no setor foram construídas ao longo de muito tempo e ajudaram a dar estabilidade ao modelo brasileiro. A regulação pode evoluir, pode incorporar novos agentes, isso faz parte. Mas existem pontos em que é preciso olhar com bastante cuidado para não desmontar mecanismos que sustentam segurança e previsibilidade. Quando se discute, por exemplo, enchimento fracionado ou responsabilidade sobre recipientes, o debate precisa considerar o efeito real sobre a operação inteira, porque pequenas mudanças regulatórias podem produzir consequências grandes na ponta.
O consumidor olha para o botijão e vê um recipiente igual ao do mês anterior, mas por trás dele existe uma cadeia inteira de responsabilidade. Cada botijão carrega uma marca em alto relevo justamente para deixar claro quem responde por aquela embalagem, por aquela carga e pela condição em que ela chega à casa da família. Isso parece um detalhe, mas é o que permite manter um padrão de segurança muito alto no país. Hoje, temos 134,6 milhões de botijões de 13 quilos em circulação e cerca de 1,9 milhão passam por requalificação todos os meses. Só nessa operação, o setor investe mais de R$ 1,4 bilhão por ano em manutenção e renovação. Segurança, nesse caso, nasce dessa disciplina contínua.
O principal efeito é que uma rede construída ao longo de décadas passa a ganhar ainda mais peso social. O país já tem cerca de 59 mil revendas autorizadas, gera 330 mil empregos diretos e indiretos e movimenta uma operação que recolhe R$ 11,1 bilhões em impostos por ano. Quando uma política pública entra nessa estrutura, ela amplia o alcance social de algo que já faz parte da vida econômica do país todos os dias.
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