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JUSTIÇA
Congresso em Foco
20/4/2026 | Atualizado às 9:13
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes uma notícia-crime contra o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e pediu sua inclusão no inquérito das fake news, que tramita sob sigilo na Corte.
A iniciativa foi motivada por um vídeo publicado por Zema, que é pré-candidato a presidente, nas redes sociais no mês passado. Na gravação, Gilmar Mendes e Dias Toffoli aparecem representados por fantoches, em um diálogo fictício sobre decisão judicial e com menção ao resort Tayayá, anteriormente ligado a Toffoli e posteriormente adquirido por um fundo associado ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Ataque à honra e à imagem do STF
Na manifestação enviada a Moraes, Gilmar afirma que Zema ultrapassou os limites da crítica política e atacou diretamente a honra dos ministros e da própria instituição. Segundo o magistrado, o ex-governador "vilipendia não apenas a honra e a imagem do Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa".
O ministro também sustenta que a produção utilizou recursos tecnológicos para simular falas inexistentes. No documento, classifica o conteúdo como resultado de "sofisticada edição profissional" e de "avançados mecanismos de deep fake", apontando que o vídeo teria sido produzido com o objetivo de desgastar a imagem do tribunal e promover politicamente o ex-governador.
A notícia-crime destaca ainda o alcance da publicação nas redes sociais de Zema. De acordo com Gilmar Mendes, o vídeo foi divulgado em perfis com milhões de seguidores e acabou reproduzido por veículos de imprensa, ampliando seu impacto. A informação sobre a notícia-crime foi publicada em primeira mão pela colunista Monica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
Escalada de ataques
O caso ocorre em meio ao acirramento dos ataques de Zema a integrantes do STF. Nos últimos dias, o ex-governador elevou o tom das críticas contra magistrados da Corte. Em uma das declarações mais recentes, afirmou que Alexandre de Moraes e Dias Toffoli "não merecem só impeachment, eles merecem prisão".
Após receber a notícia-crime, Alexandre de Moraes encaminhou o caso à Procuradoria-Geral da República, que deverá se manifestar sobre as providências cabíveis no âmbito do inquérito. O procedimento é um dos instrumentos usados pelo Supremo para apurar campanhas de desinformação, ataques às instituições e tentativas de enfraquecimento da legitimidade do Judiciário.
A reação de Gilmar contra Zema também ocorre em um contexto de crescente preocupação com o uso de montagens e ferramentas de inteligência artificial para disseminar conteúdos falsos e atingir autoridades públicas.
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