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DIREITOS HUMANOS

Israel decide libertar o ativista Thiago Ávila após pressão do Brasil

Integrante de flotilha humanitária rumo a Gaza será entregue à imigração israelense para deportação. Defesa relata isolamento e greve de fome, acusações negadas por Israel.

Congresso em Foco

9/5/2026 | Atualizado às 11:45

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Israel decidiu libertar neste sábado o ativista brasileiro Thiago Ávila, integrante da flotilha Global Sumud, que tentava levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Também será solto o hispano-palestino Saif Abu Keshek, outro participante da mobilização internacional.

Segundo a organização palestina Adalah, que representa juridicamente os dois ativistas, a agência de segurança interna de Israel, Shabak, informou à defesa que ambos seriam liberados ainda neste sábado. Eles devem ser entregues às autoridades israelenses de imigração para, em seguida, serem deportados.

Thiago Ávila no desembarque em São Paulo, deportado de Israel, em junho de 2025.

Thiago Ávila no desembarque em São Paulo, deportado de Israel, em junho de 2025.Arthur Lamonier/Thenews2/Folhapress

Apesar da decisão, Ávila continuará sob custódia israelense até que o processo de deportação seja concluído. Diplomatas brasileiros já foram informados. O procedimento pode levar alguns dias, mas o ativista não deve retornar à prisão onde permaneceu detido.

Flotilha tentava levar ajuda a Gaza

Ávila e Abu Keshek foram detidos na semana passada após a interceptação de embarcações da flotilha em águas internacionais, nas proximidades da Grécia. A Global Sumud havia partido inicialmente de Espanha, França e Itália, com cerca de 50 barcos, com o objetivo declarado de entregar ajuda humanitária a Gaza e chamar atenção para as restrições à entrada de suprimentos no território palestino.

Os demais participantes foram liberados em solo grego após a abordagem, na região da ilha de Creta. Ávila e Abu Keshek, no entanto, foram levados a Israel para interrogatório.

A flotilha integra uma mobilização internacional voltada a denunciar a crise humanitária em Gaza, devastada pela guerra e submetida a severas restrições de acesso a alimentos, medicamentos e outros itens essenciais. Israel controla os pontos de entrada no território palestino, sob bloqueio israelense desde 2007.

Defesa relata isolamento

A Adalah afirma que os dois ativistas foram mantidos em "isolamento total" e submetidos a condições punitivas, apesar do caráter civil da missão. Segundo a ONG, eles ficaram em celas com iluminação intensa 24 horas por dia e permaneceram com os olhos vendados durante transferências, inclusive para exames médicos.

A organização informou ainda que ambos iniciaram greve de fome. Abu Keshek teria intensificado o protesto ao se recusar também a beber água na noite de 5 de maio.

As autoridades israelenses negam as acusações de maus-tratos.

Libertação foi antecipada

A libertação foi antecipada depois de um tribunal israelense ter decidido, na terça-feira, manter os dois ativistas presos pelo menos até domingo, para permitir mais tempo de interrogatório pela polícia.

Na ocasião, a advogada Hadeel Abu Salih afirmou que o tribunal de Beerseba havia rejeitado o recurso da defesa e aceitado os argumentos apresentados pelo Estado de Israel. Segundo ela, os ativistas chegaram à audiência com os pés algemados.

Lula cobra soltura

A prisão de Thiago Ávila provocou reação do governo brasileiro. O presidente Lula classificou a detenção como uma "ação injustificável do governo de Israel" e cobrou a libertação imediata do brasileiro.

"Manter a prisão do cidadão brasileiro Thiago Ávila, integrante da flotilha Global Sumud, é uma ação injustificável do governo de Israel, causa grande preocupação e deve ser condenada por todos", escreveu Lula nas redes sociais.

O presidente afirmou ainda que a detenção de ativistas em águas internacionais representava "séria afronta ao direito internacional".

Brasil e Espanha condenam abordagem

Brasil e Espanha divulgaram nota conjunta em que condenaram "nos termos mais enérgicos" a captura de seus cidadãos. Os dois governos classificaram a ação israelense como "flagrantemente ilegal" e exigiram o retorno imediato dos ativistas, com garantias de segurança e acesso consular.

O governo espanhol também considerou a medida "ilegal" e "inaceitável" e afirmou que Israel não apresentou provas de supostas ligações dos ativistas com o Hamas.

Israel cita supostos vínculos

O Ministério das Relações Exteriores de Israel sustenta que integrantes da flotilha teriam vínculos com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior, entidade sancionada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sob acusação de atuar de forma clandestina em apoio ao Hamas.

Os ativistas negam qualquer relação com o grupo.

Brasileiro já havia sido detido

No ano passado, Thiago Ávila já havia ficado detido por três dias em Israel após se recusar a assinar documentos de deportação. Na ocasião, ele viajava no barco Madleen, ao lado de ativistas de França, Alemanha, Turquia, Suécia, Espanha e Países Baixos.

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flotilha Oriente Médio Thiago Ávila guerra no oriente médio Israel ajuda humanitária Espanha Lula Brasil gaza

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