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Eleições 2026

Fake news sobre urna eletrônica dominam eleições, aponta pesquisa

Levantamento mostra que mais de 45% dos conteúdos falsos sobre eleições atacaram o sistema eletrônico de votação.

Congresso em Foco

14/5/2026 11:00

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As fake news sobre urnas eletrônicas concentraram a maior parte da desinformação eleitoral disseminada nos últimos ciclos eleitorais no Brasil.

É o que aponta levantamento do Projeto Confia, iniciativa do Pacto pela Democracia, divulgado no momento em que as urnas completam 30 anos de uso no país e o Tribunal Superior Eleitoral inicia a preparação para as eleições de 2026 sob nova gestão.

Segundo o estudo, mais de 45% dos conteúdos falsos relacionados às eleições publicados em 2022 e 2024 tinham como alvo o funcionamento das urnas eletrônicas. Em seguida aparecem ataques ao Supremo Tribunal Federal e outras autoridades, com 27,1%, teorias de fraude na apuração dos votos, com 21,8%, e desinformação sobre regras e logística eleitoral, com 15,4%.

Entre os exemplos mais recorrentes de fake news identificados pelos pesquisadores estão mensagens que alegavam um suposto atraso no botão "confirma" ou afirmavam falsamente que a urna completaria automaticamente os números digitados pelo eleitor.

Modelo eletrônico de votação brasileiro é usado desde as eleições municipais de 1996.

Modelo eletrônico de votação brasileiro é usado desde as eleições municipais de 1996.Tânia Rêgo/Agência Brasil

Nunes Marques assume TSE

O avanço dessas narrativas ocorre no momento em que o ministro Nunes Marques assume a presidência do TSE e passa a comandar a organização das eleições gerais de 2026, consideradas uma das mais desafiadoras desde a redemocratização.

Indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2020, Nunes Marques chega ao comando da Justiça Eleitoral em um ambiente marcado por polarização política, judicialização crescente e desconfiança organizada sobre o sistema de votação.

Ao lado do ministro André Mendonça, que assume a vice-presidência da Corte, ele terá de conduzir a primeira eleição presidencial brasileira sob regras mais rígidas para o uso de inteligência artificial nas campanhas e em meio ao avanço de deepfakes e conteúdos sintéticos nas redes sociais.

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Desinformação técnica

Segundo Helena Salvador, coordenadora do Projeto Confia, os conteúdos desinformativos exploram justamente o desconhecimento técnico da população sobre o funcionamento do sistema eletrônico de votação.

Ela afirma que as narrativas costumam usar elementos concretos da experiência do eleitor, como teclas, mensagens exibidas na tela e etapas da votação, para gerar estranhamento e dúvidas sobre a segurança das urnas.

A pesquisa analisou mais de 3 mil conteúdos publicados durante as eleições de 2022 e 2024. Desses, 716 foram selecionados para análise qualitativa aprofundada. Segundo o levantamento, 326 mensagens continham ataques diretamente relacionados às urnas eletrônicas.

Além da disseminação tradicional de fake news, a Justiça Eleitoral também se prepara para enfrentar um novo cenário de desinformação impulsionado por inteligência artificial, incluindo deepfakes, montagens hiper-realistas e conteúdos sintéticos produzidos em larga escala.

Confiança em queda

O crescimento dessas narrativas ocorre em paralelo à redução da confiança da população nas urnas eletrônicas. Pesquisa Quaest divulgada em fevereiro deste ano mostra que 53% dos brasileiros dizem confiar no sistema eletrônico de votação. Em 2022, levantamento do Datafolha divulgado pelo próprio TSE apontava índice de 82%.

Entre pessoas com 60 anos ou mais, 53% afirmam confiar nas urnas. Já entre jovens de 16 a 34 anos, a confiança chega a 57%. Na faixa entre 35 e 50 anos, porém, metade dos entrevistados afirmou não confiar no sistema eletrônico.

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