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Meio ambiente

Câmara aprova proposta que restringe atuação de fiscais ambientais

Mudanças afetam atuação de Ibama e ICMBio em operações contra desmatamento e garimpo ilegal.

Congresso em Foco

21/5/2026 10:49

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A Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei 2.564/25, que restringe a atuação de órgãos de fiscalização ambiental ao limitar a adoção imediata de medidas cautelares previstas na Lei de Crimes Ambientais. A proposta será enviada ao Senado.

De autoria dos deputados Lucio Mosquini (MDB-RO) e Zé Adriano (PP-AC), o texto foi aprovado na forma de substitutivo da relatora, deputada Marussa Boldrin (MDB-GO). A votação provocou embate entre parlamentares da bancada ruralista e deputados ligados à pauta ambiental.

Entre as mudanças, o projeto impede que fiscais destruam ou inutilizem equipamentos utilizados em crimes ambientais antes da conclusão do processo administrativo e estabelece que embargos baseados em imagens de satélite dependam de notificação prévia ao autuado.

Projeto mantém uso de satélite, mas exige notificação antes de embargo.

Projeto mantém uso de satélite, mas exige notificação antes de embargo.Vinícius Mendonça/ Ibama

O que muda na fiscalização ambiental

Atualmente, Ibama e ICMBio podem aplicar medidas cautelares para interromper danos ambientais, como embargos imediatos e inutilização de maquinário usado em crimes ambientais.

O projeto limita essas ações ao considerar que elas antecipam punições antes do direito de defesa.

Na prática, a proposta impede a destruição de tratores e escavadeiras usados em desmatamento ilegal ou garimpo clandestino, medida adotada quando a remoção dos equipamentos é inviável ou arriscada.

A relatora manteve o uso de imagens de satélite para identificar infrações, mas condicionou medidas cautelares à notificação prévia do responsável pela área.

Assim, mesmo em casos de desmatamento em áreas protegidas, a interrupção imediata da atividade dependerá da abertura de prazo para defesa.

Defesa do projeto

Os autores da proposta afirmam que o texto busca assegurar o direito constitucional à ampla defesa e evitar abusos em autuações ambientais.

Segundo o deputado Lucio Mosquini, o uso de sistemas automatizados e imagens de satélite teria ampliado embargos sem análise individual adequada.

"Não podemos, a custo do uso dos satélites, afrontar o direito de defesa do cidadão. Esse é um princípio elementar da democracia."

A relatora Marussa Boldrin afirmou que o texto busca equilibrar fiscalização ambiental e segurança jurídica para produtores rurais.

Contexto da disputa ambiental

Nos últimos anos, operações do Ibama passaram a utilizar de forma mais intensa imagens de satélite, inteligência artificial e sistemas de alerta em tempo real para identificar áreas de desmatamento ilegal. O modelo permitiu acelerar embargos e reduzir a necessidade de fiscalização presencial em regiões de difícil acesso.

A destruição de maquinário usado em crimes ambientais também se tornou prática recorrente em operações contra garimpo ilegal e desmatamento, sobretudo em áreas indígenas e unidades de conservação.

Críticos da proposta avaliam que as novas exigências podem reduzir a efetividade dessas ações e ampliar o tempo de resposta do poder público diante de infrações ambientais.

Confira a íntegra do projeto.

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fiscalização ambiental zé adriano Marussa Boldrin Lúcio Mosquini câmara dos deputados

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