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Sem desinformação

Split payment não é antecipação de imposto, afirma presidente da FIN

Entidade que lidera os estudos técnicos e implementação do sistema diz que informações equivocadas têm gerado confusão sobre um dos pilares da reforma tributária.

Congresso em Foco

2/6/2026 | Atualizado às 13:04

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A circulação de informações incorretas sobre o split payment tem provocado dúvidas entre empresas e contribuintes próximo à implementação da reforma tributária do consumo. Para a presidente da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (FIN), Cristiane Coelho, parte das interpretações que têm ganhado espaço nas redes sociais e no mercado não reflete o modelo que vem sendo desenvolvido para viabilizar a nova sistemática de arrecadação do IBS e da CBS.

A FIN coordena, desde 2024, o principal grupo técnico dedicado à construção do split payment no país, reunindo representantes de instituições financeiras, instituições de pagamento, Banco Central, Receita Federal, Comitê Gestor do IBS e entidades do setor. Ao longo desse período, foram realizadas centenas de reuniões para desenvolver a arquitetura operacional do sistema.

"É natural que uma mudança dessa dimensão gere dúvidas e debates. Mas é importante que as informações partam de quem está efetivamente participando da construção do modelo. O split payment da reforma tributária tem características muito específicas e, muitas vezes, conceitos distintos acabam sendo tratados como se fossem a mesma coisa", afirma Cristiane.

Segundo ela, o principal equívoco é apresentar o split payment apenas como um mecanismo de antecipação de tributos.

"O objetivo central do sistema não é antecipar arrecadação. O coração do split payment é vincular o pagamento à nota fiscal e garantir a geração e a utilização dos créditos tributários previstos na reforma. É isso que dá sustentação ao novo modelo tributário", diz.

FIN lidera os estudos técnicos dos principais pilares da reforma tributária.

FIN lidera os estudos técnicos dos principais pilares da reforma tributária.Reprodução

Garantia de crédito tributário

A presidente da FIN explica que o split payment foi concebido para assegurar que os créditos tributários sejam reconhecidos de forma automática e segura ao longo da cadeia produtiva.

Na prática, quando uma empresa realiza um pagamento utilizando o mecanismo, ela não apenas recolhe o tributo relacionado à operação. Ela também garante a constituição de um crédito tributário que poderá ser utilizado posteriormente.

"Quando uma empresa faz um pagamento com split payment, ela está criando um crédito para si. Essa é a principal inovação do sistema. O valor vai muito além da arrecadação. O que está sendo construído é uma integração entre a operação financeira e a operação fiscal. Outro diferencial é que o modelo desenvolvido permitirá, em seu estágio mais avançado, a utilização dos créditos tributários existentes do fornecedor já momento do pagamento. Ou seja, o contribuinte garante seus créditos e o fornecedor reduz seus débitos", afirma.

Segundo Cristiane, essa vinculação entre pagamento e documento fiscal reduz distorções históricas do sistema tributário brasileiro e dificulta práticas fraudulentas relacionadas à apropriação indevida de créditos.

"O split payment permite que o crédito tributário esteja vinculado ao efetivo recolhimento do imposto. Isso aumenta a segurança jurídica para as empresas e melhora a qualidade das informações para toda a cadeia econômica", afirma.

Sistema nacional

Cristiane também destaca que o split payment previsto na reforma tributária não é uma solução privada nem um produto desenvolvido por uma instituição específica.

Segundo ela, trata-se de uma infraestrutura nacional, escalável e distribuida nos principais meios de pagamentos eletrônicos do Brasil, construída de forma conjunta por órgãos públicos e pelo setor financeiro para viabilizar o funcionamento da reforma.

"Estamos falando de um sistema desenvolvido com participação da Receita Federal, do Comitê Gestor do IBS, do Banco Central e das instituições financeiras e de pagamento. É uma construção coletiva para atender aos objetivos da reforma tributária", afirma.

Ela lembra que os estudos começaram ainda antes da aprovação definitiva da legislação e envolveram mais de 300 reuniões técnicas, além da participação permanente de representantes do setor financeiro e do governo.

Fato ou Fake sobre o split payment.

Fato ou Fake sobre o split payment.Arte Congresso em Foco

Implementação gradual

A primeira fase do split payment está prevista para começar em 2027, inicialmente em operações entre empresas. O modelo será implementado de forma gradual, permitindo que instituições financeiras, empresas e prestadores de serviços de pagamento adaptem seus sistemas ao novo ambiente tributário.

De acordo com Cristiane, a experiência acumulada ao longo dos últimos dois anos demonstra que o sistema é viável e capaz de cumprir os objetivos previstos pela reforma.

"Quando iniciamos esse trabalho, havia dúvidas legítimas sobre a possibilidade de implementar um sistema dessa complexidade. O aprofundamento técnico mostrou que o desafio é grande, mas plenamente executável. Hoje existe um caminho claro para que o split payment seja colocado em operação", afirma.

Para a presidente da FIN, a qualidade do debate público depende da circulação de informações corretas sobre o funcionamento do modelo.

"É importante que empresas e contribuintes busquem informações em fontes técnicas e diretamente envolvidas na construção do sistema. Estamos falando de uma das principais transformações tributárias da história do país e o debate precisa ser baseado no funcionamento real do modelo que está sendo implementado", conclui.

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imposto desinformação Reforma tributária Fin split payment

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