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TENSÃO COMERCIAL

Tarifa de 25% dos EUA pode afetar US$ 15 bi em exportações, diz Amcham

Câmara Americana de Comércio alerta que sobretaxa proposta por Trump pode elevar custos, reduzir competitividade e atingir 35% das vendas brasileiras aos EUA.

Congresso em Foco

3/6/2026 | Atualizado às 8:29

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A eventual aplicação de uma tarifa adicional de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode elevar custos, reduzir a competitividade do país e criar novos obstáculos na relação bilateral. O alerta é da Amcham Brasil, a Câmara Americana de Comércio, que defende a intensificação do diálogo entre Brasília e Washington para evitar a adoção da medida.

Segundo cálculos da entidade, a sobretaxa proposta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), se confirmada, atingiria cerca de US$ 15 bilhões em exportações brasileiras para o mercado norte-americano. O valor corresponde a 35% das importações dos Estados Unidos originárias do Brasil.

Valor impacato equivale a 35% do montante exportado pelo Brasil para os EUA, afirma a Câmara Americana de Comércio.

Valor impacato equivale a 35% do montante exportado pelo Brasil para os EUA, afirma a Câmara Americana de Comércio.Divulgação/Santos

Relatório ainda é preliminar

A recomendação foi feita no âmbito de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento usado pelos Estados Unidos para questionar práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano. O relatório trata de temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal.

"O relatório não é final e reforça que ainda há tempo para evitar a adoção de novas tarifas. O setor empresarial espera que os dois governos intensifiquem seus esforços nas próximas semanas e alcancem uma solução que enderece as questões em discussão", afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Setores mais expostos

De acordo com a Amcham, os setores potencialmente mais afetados incluem indústria de base, máquinas e equipamentos, agronegócio, produtos florestais e alimentos processados.

Entre os principais produtos alcançados pela eventual tarifa estão ferro-gusa, máquinas, açúcar, produtos de madeira, gorduras animais, tratores, tabaco, granito, compensados de madeira, etanol, café instantâneo e transformadores elétricos.

O ferro-gusa lidera a lista, com US$ 1,5 bilhão em exportações aos Estados Unidos em 2024. Também aparecem entre os itens mais expostos carregadoras autopropulsadas, açúcar de cana, molduras de madeira, gorduras animais, tratores, tabaco, granito e café instantâneo.

Nova frente de pressão

A Amcham afirma que o próprio relatório americano reconhece avanços nas negociações entre Brasil e Estados Unidos, intensificadas após o encontro entre Lula e Donald Trump em 7 de maio. A decisão final está prevista para 15 de julho.

A estimativa da Câmara Americana de Comércio não inclui a aplicação de uma nova tarifa de 12,5% sobre os produtos brasileiros, indicada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA. Nesse caso, a proposta decorre da investigação, também pela Seção 301, sobre a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. Essa apuração pode resultar em tarifas adicionais para o Brasil e outros 59 países. A recomendação também será submetida a consulta.

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