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IMPACTO BILIONÁRIO

Durigan: governo pode ir ao STF contra renegociação de dívidas rurais

Ministro da Fazenda diz que eventual ação teria como alvo trechos do projeto por risco fiscal. Governo afirma estar disposto a negociar outra saída para a renegociação das dívidas dos produtores rurais.

Congresso em Foco

11/6/2026 | Atualizado às 10:39

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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo poderá vetar trechos do projeto que autoriza a renegociação de dívidas de produtores rurais ou recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para barrar pontos da proposta. A declaração foi dada na noite de quarta-feira (10), logo após o Senado aprovar o texto, considerado uma "pauta-bomba" pela equipe econômica. Como foi alterada pelos senadores, a proposta ainda voltará à Câmara dos Deputados.

Segundo Durigan, a Fazenda ainda não tinha acesso ao texto final aprovado, mas trabalhava com a estimativa de que a medida poderia alcançar R$ 200 bilhões em operações, com custo de 70% para o Tesouro Nacional. O impacto seria de cerca de R$ 140 bilhões ao longo dos próximos dez anos. "De fato, parece ser muito e descasa com a proposta mais focalizada para atender o agricultor que precisava, que a gente tinha feito", afirmou.

Para Dario Durigan, aprovação de proposta oferece risco fiscal.

Para Dario Durigan, aprovação de proposta oferece risco fiscal.Washington Costa/Ministério da Fazenda

Pente-fino

O ministro disse que não houve acordo com o governo sobre a versão aprovada no Senado e que comunicou sua contrariedade ao relator da proposta, Renan Calheiros (MDB-AL), à senadora Tereza Cristina (PP-MS) e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Durigan afirmou que a Fazenda fará um "pente-fino" no texto para identificar pontos que, na avaliação do governo, ultrapassam a capacidade fiscal do Estado.

"Não é suportado pelas contas. Por isso, pode ser que não o projeto como um todo, mas partes do projeto tenham que ser revistas na Câmara dos Deputados ou, eventualmente, em veto do presidente da República", disse.

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Fazenda vê risco fiscal

Durigan também afirmou que, se o Congresso aprovar medidas em desacordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal, o governo poderá judicializar o caso. "Se preciso, a gente vai questionar eventual ação do Congresso que não cumpra a Lei de Responsabilidade Fiscal no Supremo Tribunal Federal", declarou. Segundo ele, a avaliação será feita "com rigor, serenidade e amplo diálogo com o Congresso".

O ministro defendeu que o governo também tem compromisso com o agronegócio, mas afirmou que a renegociação precisa ser direcionada aos produtores que comprovem perdas e enfrentem dificuldades reais para pagar dívidas. "Nosso objetivo é, sim, ajudar aqueles agricultores que mais precisam, que comprovem as perdas, que tenham problemas com as dívidas, e não fazer uma espécie de nova linha que atenda quem não precisa", disse.

Durigan alertou ainda que uma medida ampla demais pode prejudicar o próprio setor rural. De acordo com o ministro, bancos e instituições financeiras que operam com o agro têm manifestado preocupação com a proposta, já que não seriam obrigados a aderir às operações. Para Durigan, isso pode levar a uma restrição de crédito para produtores. "Uma medida que transborde os seus limites pode, inclusive, trazer prejuízo aos agricultores", afirmou.

Texto volta à Câmara

O projeto aprovado pelo Senado cria uma linha especial de refinanciamento para produtores rurais endividados. A proposta autoriza o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal, de fundos constitucionais e de outras fontes para renegociar débitos do setor agropecuário. O texto prevê juros entre 3,5% e 7,5% ao ano, limite de até R$ 10 milhões por beneficiário, prazo de pagamento de até dez anos e três anos de carência.

A proposta original, de autoria do deputado Domingos Neto (PSD-CE), tinha como foco produtores afetados por eventos climáticos, como as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024. No Senado, o relator Renan Calheiros ampliou o alcance do projeto para incluir também prejuízos provocados por impactos econômicos negativos decorrentes de conflitos geopolíticos internacionais. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) comemorou a aprovação e deve atuar para votar rapidamente o texto na Câmara.

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