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JUDICIÁRIO

PP e Podemos acionam o STF por paridade de gênero em listas do Quinto Constitucional

Partidos pedem paridade entre homens e mulheres na elaboração de listas de candidatos a vagas em tribunais.

Congresso em Foco

23/6/2026 16:17

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As executivas nacionais do PP e Podemos protocolaram no STF uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) para que a Corte estabeleça regras de paridade de gênero na formação das listas do Quinto Constitucional destinadas ao preenchimento de vagas nos tribunais brasileiros.

Os partidos pedem que o STF determine a adoção de critérios mínimos de equidade entre homens e mulheres nas listas elaboradas pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), pelo Ministério Público e pelos próprios tribunais.

Siglas argumentam que, sem garantia de paridade, listas do Quinto se transformam em

Siglas argumentam que, sem garantia de paridade, listas do Quinto se transformam em "filtro de gênero".Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O Quinto Constitucional é o mecanismo previsto na Constituição que reserva um quinto das vagas de tribunais a integrantes da advocacia e do Ministério Público. Nessas hipóteses, as entidades de classe elaboram listas de candidatos, que passam por etapas de seleção até a escolha final pela autoridade competente para a nomeação.

Na ação, os partidos sustentam que a atual interpretação das regras do Quinto propicia a manutenção de um quadro de sub-representação feminina nos tribunais.

Segundo a petição, a inexistência de parâmetros nacionais obrigatórios para garantir a participação de mulheres nas listas de indicação acaba reproduzindo desigualdades estruturais e impedindo que a composição das cortes reflita a realidade das carreiras jurídicas.

Os autores afirmam que o problema não decorre da falta de mulheres qualificadas para ocupar os cargos, tendo em vista que elas são maioria nos cursos de graduação em Direito e também entre os inscritos na OAB. "A realidade demográfica e profissional do Brasil torna esse quadro particularmente paradoxal", apontam.

Para os partidos, a ausência de mecanismos de correção resulta na "conversão de um mecanismo criado para pluralizar a jurisdição em filtro que reproduz a hegemonia masculina nas cortes".

A petição também argumenta que o sistema atual opera sob uma aparência de neutralidade, mas produz resultados sistematicamente excludentes. "Os editais não proíbem candidaturas femininas, mas o resultado sistemático e documentado é a exclusão que se cristaliza nas composições das cortes e se projeta para as décadas seguintes pela vitaliciedade dos cargos".

As siglas ainda pedem uma medida cautelar para que os procedimentos em andamento passem a observar imediatamente critérios de equidade de gênero, com listas sêxtuplas paritárias e preservação da presença feminina nas listas tríplices quando houver candidatas habilitadas.

No julgamento de mérito, os partidos requerem que o STF considere inconstitucional qualquer interpretação do artigo 94 da Constituição que permita a formação das listas do quinto constitucional sem parâmetros mínimos de igualdade de gênero e determine a adoção de regras permanentes para assegurar a participação feminina nos processos de indicação.

O processo tramita sob relatoria do ministro Luiz Fux.

Veja a íntegra da ação.

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