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ELEIÇÕES 2026
Congresso em Foco
1/7/2026 21:58
Anunciado nesta quarta-feira (1º) como pré-candidato a vice de Ronaldo Caiado à Presidência da República, Gilberto Kassab passa a ocupar posição mais sensível no financiamento eleitoral do PSD. Como presidente nacional do partido, ele já influenciava a distribuição dos recursos. Agora, se a chapa for confirmada, fará parte de uma campanha que poderá receber dinheiro definido pela Executiva que ele próprio preside.
A mudança não dá a Kassab acesso pessoal nem automático ao fundo eleitoral, nem autoriza o PSD a direcionar livremente qualquer valor para Caiado. Mas altera o peso político da candidatura: o dirigente que já tinha poder sobre o caixa partidário passa a integrar uma das campanhas interessadas na divisão da verba.
O PSD terá R$ 421 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha em 2026, quarta maior cota entre os partidos, atrás de PL, PT e União Brasil. A entrada de Kassab na vice aproxima Caiado desse caixa e reduz a pressão de alas que defendiam prioridade para deputados e senadores. A formalização depende da convenção nacional do PSD, prevista para 26 de julho.
Teto ainda será definido
O PSD não poderá escolher sozinho quanto colocar na campanha. O Tribunal Superior Eleitoral deve divulgar até 20 de julho os limites de gastos de 2026, inclusive para a disputa presidencial. Na prática, a cota de R$ 421 milhões pertence ao partido, não à chapa. A campanha poderá receber recursos do PSD, mas terá de respeitar o teto da corrida ao Planalto, os critérios internos da legenda e as regras de prestação de contas.
Os partidos terão neste ano R$ 4,96 bilhões do fundo eleitoral. À frente do PSD estão PL, com R$ 881,66 milhões; PT, com R$ 615,37 milhões; e União Brasil, com R$ 526,24 milhões. Kassab também comanda uma máquina que recebeu em 2025 R$ 91,3 milhões do Fundo Partidário.
Duplo papel
A distribuição do fundo no PSD não é decisão individual de Kassab. Pela regra eleitoral, os critérios precisam ser aprovados pela maioria absoluta da Executiva Nacional, divulgados publicamente e comunicados ao TSE. Fundador da legenda, o ex-prefeito de São Paulo dirige a máquina partidária sem oposição e costuma dar a palavra final nas decisões internas.
Ainda assim, sua entrada na chapa ganha peso político. Antes, Kassab presidia a Executiva e influenciava a estratégia de financiamento do partido, mas não integrava uma candidatura nacional. Agora, como vice de Caiado, passa a ter interesse direto no montante que a legenda poderá destinar à campanha presidencial. Isso não significa controle pessoal sobre os recursos. Significa que Kassab acumula dois papéis: preside a estrutura que definirá os critérios de repartição do fundo e integra a chapa que tentará obter prioridade nessa divisão.
Vice pode receber, mas sem teto próprio
A regra eleitoral prevê arrecadação pelo candidato a vice, sempre com recibos eleitorais do titular da chapa. O vice não é obrigado a abrir conta bancária específica, mas pode fazê-lo. Se abrir, os extratos entram na prestação de contas do cabeça de chapa.
A condição de vice, porém, não cria limite próprio de gastos. Nas campanhas majoritárias, o teto é único e inclui despesas do candidato a presidente e do vice. Assim, eventual dinheiro movimentado por Kassab será contabilizado no limite da candidatura de Caiado.
Sinal ao partido
O grupo de Caiado vê na presença de Kassab um sinal de que o PSD pode direcionar mais recursos para a candidatura presidencial. Até aqui, lideranças da sigla defendiam concentrar dinheiro na eleição de deputados e senadores.
Internamente, a avaliação é que Kassab fortalece Caiado por dar peso nacional à chapa e abrir portas no PSD. O ex-governador de Goiás chegou ao partido neste ano, após deixar o União Brasil, mas ainda enfrenta resistências. Pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quarta-feira mostra Caiado em quarto lugar, com 2,9% das intenções de voto, atrás de Lula, Flávio Bolsonaro e Renan Santos.
Apoio ainda incerto
O anúncio também expôs limites da adesão interna. O alto clero do PSD não compareceu em peso ao ato. Entre os principais nomes do partido, apenas o líder da bancada na Câmara, Antônio Brito (BA), esteve presente. Apoiador de Lula, Brito não discursou.
O PSD tem seis governadores, mas Caiado ainda não conta com apoio nacional fechado da sigla. Raquel Lyra, de Pernambuco, e Fábio Mitidieri, de Sergipe, governam estados do Nordeste, onde Lula tem eleitorado maior. Mitidieri tentará a reeleição com apoio declarado de Lula. Em Minas Gerais, Matheus Simões deve apoiar Romeu Zema, do Novo.
No ato desta quarta-feira, Kassab disse que os governadores terão liberdade para apoiar outros presidenciáveis, mas afirmou esperar participação deles no comitê de Caiado. Também justificou ausências pelo calendário eleitoral: a partir de 4 de julho, governantes candidatos ficam proibidos de participar de inaugurações e anúncios de obras.
A aposta do PSD combina cálculo eleitoral, controle partidário e financiamento. Kassab não passa a ter acesso pessoal nem automático ao fundo, mas sua entrada na chapa cria o caminho formal para que a campanha de Caiado dispute prioridade no uso dos recursos do partido que ele comanda.
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