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Cultura

Câmara aprova reconhecimento do hip hop como cultura nacional

Relator retirou definição do hip hop como gênero musical para reconhecer o movimento como manifestação cultural mais ampla.

Congresso em Foco

16/7/2026 14:00

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Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei 3.839/2024, que reconhece o hip hop como manifestação da cultura nacional. De autoria do deputado Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ), a proposta segue agora para análise do Senado Federal.

O texto foi aprovado na forma do substitutivo apresentado pelo relator, deputado Inácio Arruda (PCdoB-CE), que retirou da redação original a definição do hip hop como "gênero de música popular". Segundo o parlamentar, a alteração amplia o alcance da proposta, reconhecendo o hip hop como um movimento cultural que vai além da música.

Hip hop avança para se tornar manifestação da cultura nacional.

Hip hop avança para se tornar manifestação da cultura nacional.Fernando Christo/Folhapress

Durante a votação, Inácio Arruda destacou a importância do hip hop como expressão artística ligada à juventude, às periferias e aos grandes centros urbanos brasileiros.

"O hip hop tem uma relação direta com o repente e com manifestações que, antes, não eram reconhecidas e foram reconhecidas por força da sua presença na cultura e na arte do povo brasileiro."

Origem e expansão

Ao defender o projeto, Pastor Henrique Vieira relembrou que o hip hop surgiu na década de 1970, nas comunidades periféricas afro-americanas e latinas do bairro do Bronx, em Nova York, como uma manifestação cultural marcada por identidade própria e forte caráter social.

O parlamentar explicou que o movimento é tradicionalmente formado por cinco elementos fundamentais: o DJ (Disk Jockey), o MC (Mestre de Cerimônias), o breaking, o grafite e o conhecimento, considerado o elo que conecta e fortalece toda a cultura hip hop.

Segundo Vieira, o movimento chegou ao Brasil na década de 1980, especialmente por meio de jovens negros e moradores das periferias que se reuniam na Rua 24 de Maio e na estação São Bento do metrô, na capital paulista, locais considerados berços do hip hop brasileiro.

Combate ao preconceito

Durante o debate, o autor da proposta também chamou atenção para o preconceito e a criminalização enfrentados por artistas e coletivos ligados ao hip hop.

"Muitas rodas de rima no meu estado, o Rio de Janeiro, convivem com o preconceito e a falta de estrutura, de valorização e de visibilidade."

Para ele, o reconhecimento oficial da cultura hip hop representa um passo importante para ampliar sua valorização e fortalecer políticas públicas voltadas ao setor.

Homenagem

A sessão também foi marcada por uma homenagem ao rapper e ativista cultural Rivas Alves, conhecido como Rivas Álibi, que faleceu na última semana, aos 56 anos, em Brasília, vítima de câncer.

O deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) destacou a trajetória do artista e sua contribuição para a cultura urbana no Distrito Federal.

"Ele era um grande expoente do hip hop nacional. A morte dele foi uma comoção enorme na nossa cidade. Tinha acabado de fundar a Casa do Hip Hop de Ceilândia."

Caso seja aprovado também pelo Senado, o projeto seguirá para sanção presidencial e o hip hop passará a ser oficialmente reconhecido como manifestação da cultura nacional, consolidando o papel do movimento na formação da identidade cultural brasileira.

Confira a íntegra do projeto.

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