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Congresso em Foco
23/7/2026 13:10
As deputadas Maria do Rosário (PT-RS) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ) reagiram em suas redes sociais às declarações do influenciador Paulo Figueiredo, que classificou como "geniais" falas do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre as duas parlamentares. Durante uma transmissão ao vivo, o comentarista elogiou episódios em que o então deputado fez comentários relacionados a estupro envolvendo as congressistas.
Na avaliação das deputadas, o conteúdo divulgado por Figueiredo incentiva o ódio contra as mulheres e reforça a necessidade de aprovação do PL da Misoginia, que tipifica esse tipo de conduta no Código Penal. Jandira também informou que pretende adotar medidas judiciais contra o influenciador.
"Isto é crime, porque ele incita violência sexual contra as mulheres, incita violência contra nós, parlamentares, e ainda agrega o crime de violência política de gênero. Isso não é apenas sobre nós, é sobre todas as mulheres. (...) Nós vamos tomar todas as medidas cabíveis para que ele responda na justiça sobre mais um crime dessa turma que o bolsonarismo criou", declarou.
Veja a fala de Jandira Feghali:
Jandira explicou que normalmente evita responder a declarações de adversários políticos radicais, mas considerou que a gravidade do episódio exigia uma manifestação pública. "Não cabe silêncio. Eu preciso ecoar, como sempre, a minha voz como voz das mulheres que me antecederam e das que hoje, inclusive, não têm voz para se defender".
A deputada também atribuiu os ataques à sua atuação parlamentar. "E eu sei que eu incomodo, porque eu sou relatora da Lei Maria da Penha, eu acabei de aprovar como relatora um outro projeto que bota um R$ 1,5 bilhão no Brasil para combate ao feminicídio com 470 votos a um, e também defendo a tipificação do crime da misoginia".
Maria do Rosário também alertou para o impacto coletivo de declarações como as de Figueiredo. "Quando tentam transformar a violência contra a mulher em piada, estão incentivando uma cultura de ódio que atinge milhões de brasileiras", afirmou.
A parlamentar acrescentou que aqueles que endossam esse tipo de discurso "mostram bem qual é a sua prioridade". Figueiredo atua desde fevereiro de 2025, ao lado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, na articulação por sanções contra autoridades brasileiras.
"Enquanto alguns escolhem atacar mulheres e conspirar contra os interesses do Brasil, contra os interesses nacionais, nós escolhemos defender o Brasil, a soberania nacional, as mulheres, as meninas e o nosso povo. Por isso eu sigo defendendo a aprovação do PL e da misoginia", disse.
Veja a fala de Maria do Rosário:
Live de Figueiredo
Durante a transmissão intitulada "o que precisa mudar para Flávio ganhar", Paulo Figueiredo elogiou declarações de Jair Bolsonaro sobre Maria do Rosário e Jandira Feghali. Segundo ele, o ex-presidente se destacava por dizer "o que todo mundo estava pensando", classificando como "genial" a fala em que o então deputado afirmou que Maria do Rosário "não merecia ser estuprada".
Figueiredo relembrou o episódio de 2014, quando Bolsonaro declarou, no Plenário da Câmara, que não estupraria Maria do Rosário "porque ela não merece", alegando que a deputada era "muito feia". O ex-presidente acabou condenado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao pagamento de indenização por danos morais. Já a ação penal que tramitava no Supremo Tribunal Federal (STF) por incitação ao estupro foi arquivada em 2024 em razão da prescrição.
O influenciador também recordou outro episódio envolvendo Jandira Feghali e afirmou que Bolsonaro "se caga de rir espontaneamente" ao ouvir relatos de ameaças de estupro contra a deputada. Na sequência, sustentou que qualquer homem reagiria da mesma forma diante da situação.
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