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COMUNICAÇÃO
Congresso em Foco
29/7/2026 17:45
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Comissão Nacional de Mulheres Jornalistas da Fenaj divulgaram nesta quarta-feira (29) uma nota de repúdio às falas do influenciador Paulo Figueiredo durante uma transmissão na noite anterior. As entidades classificam o caso como misógino, criminoso e ofensivo à liberdade de imprensa.
Na live realizada na terça-feira (28), Paulo Figueiredo chamou profissionais da imprensa de "putas pagas" e "prostitutas de alma", disse preferir ser apresentado às filhas como "gigolô" em vez de jornalista e afirmou que Míriam Leitão "não merecia ser estuprada". As ofensas ocorreram enquanto criticava a imprensa e a publicidade estatal destinada aos veículos de comunicação.
No comunicado, o SJPDF, a Fenaj e a Comissão Nacional de Mulheres Jornalistas sustentam que o ocorrido representa uma agressão não apenas às profissionais da imprensa, mas também aos valores democráticos. O texto destaca que "a gravidade dessa fala não pode ser minimizada" e lembra que a frase dirigida a Míriam Leitão reproduz uma manifestação que já resultou na condenação judicial de Jair Bolsonaro.
As entidades também recordam que Míriam Leitão foi presa e torturada durante a ditadura militar quando estava grávida, circunstância que, segundo elas, torna o episódio ainda mais grave. "Atacar Miriam Leitão com essa referência criminosa ao estupro, portanto, não é apenas misoginia; é um acinte à memória das vítimas da tortura e à história de luta pela democracia no Brasil."
O posicionamento acrescenta que esse comportamento integra uma sequência de investidas de Paulo Figueiredo contra integrantes da imprensa e cobra providências oficiais "imediatas e rigorosas".
Ao final, as organizações manifestam solidariedade às profissionais mencionadas pelo influenciador e reafirmam o compromisso com a defesa da categoria. "Não aceitaremos que o exercício do jornalismo seja transformado em alvo de ameaças e ultrajes", registra o documento, que também defende a responsabilização de Figueiredo.
Sucessão de controvérsias
As manifestações mais recentes de Paulo Figueiredo se somam a uma série de controvérsias envolvendo comentários sobre mulheres.
Na última semana, o influenciador ganhou repercussão ao defender falas de Jair Bolsonaro sobre as deputadas Maria do Rosário (PT-RS) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ). Ele classificou como "genial" a declaração em que o então deputado disse que a petista "não merecia ser estuprada" e a risada de Bolsonaro diante dos relatos de Jandira sobre ameaças de estupro.
No início do mês, Figueiredo chegou a provocar desgaste na pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao dizer, em meio a comentários sobre a crise partidária envolvendo Michelle Bolsonaro, que mulheres "votam mal". O candidato precisou se pronunciar para esclarecer que não concordava com a avaliação do influenciador.
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