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Relações Exteriores
Congresso em Foco
3/8/2026 | Atualizado às 14:28
O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste domingo (2) e o chamou de "ladrão", "corrupto" e "vigarista". As declarações foram dadas em entrevista ao jornal argentino La Nación e ampliaram a crise diplomática entre os dois países.
Ao comentar as críticas recebidas após participar da convenção nacional do Partido Liberal, em São Paulo, Milei voltou a questionar a situação jurídica do presidente brasileiro e afirmou que Lula não seria inocente nos processos relacionados à Operação Lava Jato.
"É um ladrão, é um corrupto, foi condenado por ser ladrão e corrupto, ficou preso, por isso também é verdade o que disse sobre ser presidiário."
Em seguida, alegou que Lula teria sido libertado por uma "falha administrativa do processo" e não por ser inocente.
As condenações de Lula foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021.
A Corte concluiu que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os processos e reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro (PL-PR) em uma das ações. Com a anulação, Lula recuperou seus direitos políticos e voltou à condição de não condenado.
Milei também afirmou que as críticas do governo brasileiro seriam baseadas em "mentiras" e voltou a atacar o presidente.
"O pior é que me acusam com mentiras, e eu respondo com verdades. Eu não menti. Quando respondo com verdades, o senhor Lula se sente atacado? Ele é um vigarista e um ladrão."
Acusações de interferência
Durante a entrevista, o presidente argentino acusou Lula de interferir politicamente em outros países da América Latina e de disseminar ideias socialistas pela região. Milei não apresentou provas nem citou episódios específicos que sustentassem a acusação.
Ao desenvolver a crítica, o argentino afirmou que o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) teria relatado a ele que o governo brasileiro investiu US$ 1 bilhão em uma campanha para desgastá-lo politicamente. Milei também alegou, sem apresentar evidências, que assessores brasileiros participaram dessa suposta operação de comunicação contra seu governo.
"Isso disse Eduardo Bolsonaro outro dia. Então, esses que falam de interferência política, se há alguém que interfere politicamente na região foi Lula, contaminando com as ideias imundas do socialismo por todos os lados."
Em seguida, Milei voltou a acusar o presidente brasileiro de atuar politicamente em outros países e disse que as críticas dirigidas a ele recebem tratamento diferente das ofensas feitas por outros líderes latino-americanos e europeus.
O argentino citou, entre outros, o presidente colombiano Gustavo Petro, o ex-presidente boliviano Evo Morales, o ex-presidente equatoriano Rafael Correa e o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez.
"Quando me insultam, está tudo bem. Agora, se eu respondo, está errado."
Crise diplomática
As novas declarações ocorreram uma semana depois de Milei participar da convenção do PL que oficializou a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Durante o evento, realizado em 25 de julho, em São Paulo, o argentino chamou Lula de "ladrão" e "presidiário" e fez ataques ao ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Após o episódio, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, convocou o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, para transmitir a "repulsa" do governo brasileiro e cobrar explicações. O Itamaraty também chamou para consultas o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli.
O retorno de Bitelli à Argentina, inicialmente previsto para os próximos dias, deverá ser adiado depois das novas declarações de Milei. A permanência do diplomata em Brasília funciona como um sinal de descontentamento do governo brasileiro, embora o Itamaraty não tenha anunciado rompimento ou redução formal das relações diplomáticas.
Na semana passada, o chanceler argentino, Pablo Quirno, afirmou que não havia possibilidade de rompimento com o Brasil, principal parceiro comercial da Argentina. As novas falas de Milei, no entanto, voltaram a elevar a tensão entre os dois governos.
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