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Eleições
Congresso em Foco
17/8/2026 13:59
Os candidatos à Presidência da República apresentam diferenças expressivas - e, em alguns casos, de centenas de milhões de reais - nos patrimônios informados à Justiça Eleitoral para a disputa de 2026.
A declaração de bens é obrigatória no pedido de registro de candidatura e reúne, de forma simplificada, imóveis, veículos, participações em empresas, saldos bancários, investimentos e outros ativos.
Os valores informados não correspondem necessariamente aos preços atuais de mercado e ficam disponíveis para consulta pública no DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Levantamento do Congresso em Foco mostra que os bens declarados pelos 12 presidenciáveis com dados consolidados somam cerca de R$ 539,6 milhões.
Quase 78% desse montante está concentrado em dois candidatos.
Augusto Cury (Avante) lidera a lista, com R$ 242,3 milhões, seguido por Romeu Zema (Novo), com R$ 178,7 milhões.
Juntos, acumulam aproximadamente R$ 421 milhões.
Na outra ponta, Samara Martins (UP) informou R$ 33 mil, o menor valor entre os candidatos que declararam bens.
Hertz Dias (PSTU) e Rui Costa Pimenta (PCO) disseram não possuir patrimônio a declarar.
Pablo Marçal (PRTB) ficou fora dessa soma. Seu registro aponta R$ 7,4 bilhões, mas o empresário afirmou que o valor está incorreto e que pediu a correção.
Veja, no infográfico abaixo, o patrimônio declarado por cada candidato à Presidência:
Quem lidera a lista
Augusto Cury aparece isolado na primeira posição. Seus R$ 242,28 milhões representam quase 45% da soma dos patrimônios dos 12 candidatos considerados, sem Marçal.
A maior parcela dos bens do candidato do Avante está ligada a empréstimos feitos a empresas, participações societárias e investimentos.
A declaração inclui cerca de R$ 125,3 milhões em empréstimos a empresas, R$ 54,6 milhões em participações societárias, R$ 33,7 milhões em ações e aproximadamente R$ 19 milhões em imóveis e propriedades rurais.
Zema aparece em segundo lugar, com R$ 178,7 milhões.
Cerca de R$ 94,5 milhões correspondem à participação em uma holding familiar, enquanto R$ 56,2 milhões estão aplicados em um fundo multimercado.
O candidato também declarou participações em instituição financeira, seguradora e investimentos de renda fixa.
Na terceira posição está Ronaldo Caiado (PSD), com R$ 52,56 milhões.
O patrimônio do ex-governador de Goiás está concentrado principalmente no setor agropecuário: são R$ 36,2 milhões em imóveis rurais e aproximadamente R$ 10,5 milhões em rebanho.
Logo atrás aparece Wilson Grassi (Democrata), que declarou R$ 50 milhões.
Flávio declara quase o dobro de Lula
Entre os dois candidatos que aparecem nas primeiras posições das pesquisas eleitorais, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Lula (PT), o senador declarou patrimônio maior.
Flávio informou R$ 8,19 milhões, quase o dobro dos R$ 4,78 milhões registrados pelo presidente Lula.
O principal item da declaração de Flávio é uma casa no Lago Sul, em Brasília, avaliada em R$ 6,2 milhões. Também aparecem um fundo de investimento de aproximadamente R$ 1 milhão, depósitos bancários, aplicações e um veículo.
No caso de Lula, parte relevante do patrimônio está em previdência privada.
A declaração inclui planos de aproximadamente R$ 1,92 milhão e R$ 1,38 milhão, além de imóveis, aplicações financeiras e créditos.
O patrimônio informado pelo petista é menor que o registrado na eleição de 2022, quando Lula declarou cerca de R$ 7,4 milhões.
Corrigido pela inflação, aquele patrimônio corresponderia a aproximadamente R$ 8,8 milhões em valores de 2026.
De imóveis a um Uno
As declarações também mostram diferenças na composição dos patrimônios.
Clariana Barão (DC), com R$ 1,82 milhão, declarou imóveis e um veículo Land Rover, entre outros bens.
Renan Santos (Missão), que informou R$ 795 mil, dividiu o patrimônio entre créditos, poupança, participação societária e bens ligados à atividade autônoma.
Edmilson Costa (PCB) declarou R$ 454,5 mil, concentrados principalmente em uma cota de apartamento, aplicações financeiras e previdência privada.
Já Samara Martins, dona do menor patrimônio declarado entre os candidatos que apresentaram bens, informou apenas dois itens: um Fiat Uno Vivace, avaliado em R$ 29 mil, e R$ 4 mil em poupança.
Hertz Dias e Rui Costa Pimenta informaram à Justiça Eleitoral não possuir bens a declarar.
O caso dos R$ 7,4 bilhões de Marçal
A declaração de Pablo Marçal é um caso à parte.
O pedido de registro apresentado pelo PRTB traz patrimônio de R$ 7,418 bilhões, quantia que o colocaria, com ampla diferença, no topo da lista.
O próprio Marçal, porém, afirmou que o valor está errado e disse ter determinado a correção.
O montante registrado é mais de 43 vezes superior aos R$ 169,5 milhões declarados pelo empresário na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2024.
A situação eleitoral do empresário também está pendente.
Marçal protocolou o pedido de registro no último dia do prazo após obter decisão judicial que permitiu sua filiação ao PRTB com efeito retroativo.
Ele está inelegível em razão de condenação eleitoral relacionada à disputa municipal de 2024 e depende da Justiça Eleitoral para conseguir concorrer.
Registros ainda serão julgados
O prazo para que partidos apresentassem os pedidos de registro terminou em 15 de agosto.
Até o dia seguinte, o TSE contabilizava 13 pedidos de candidatura à Presidência, mas ressaltava que os dados ainda estavam sendo processados e poderiam sofrer atualizações.
Os pedidos apresentados não significam que todos os candidatos já estejam definitivamente habilitados para disputar a eleição.
A Justiça Eleitoral ainda analisa os registros e pode deferi-los ou rejeitá-los.
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