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AGROPECUÁRIA

Câmara aprova Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica

Texto prevê crédito, assistência técnica, pesquisa e incentivos para ampliar a produção orgânica e agroecológica.

Congresso em Foco

2/9/2026 19:11

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A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (1º) o projeto de lei 3.904/2023, de autoria do deputado Valmir Assunção (PT-BA) e relatoria de Padre João (PT-MG), que prevê a criação da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO), voltada ao incentivo à produção sustentável, à oferta de alimentos saudáveis e ao desenvolvimento de sistemas agrícolas de base ecológica.

O texto foi aprovado em votação simbólica, com voto favorável de todas as bancadas, e segue ao Senado.

A proposta estabelece como objetivos da política, entre outros pontos, ampliar a produção agroecológica, fortalecer mercados locais, incentivar o uso de bioinsumos e energias renováveis no campo, fomentar pesquisas e novas tecnologias e estimular práticas agrícolas com menor risco à saúde humana e ao meio ambiente.

O texto também contempla a conservação e recuperação ambiental, a capacitação de produtores e profissionais de assistência técnica e a valorização de conhecimentos tradicionais.

Relator enfatizou importância da matéria para reduzir dependência de insumos agrícolas importados.

Relator enfatizou importância da matéria para reduzir dependência de insumos agrícolas importados. Magnific

Instrumentos de implementação

Entre os instrumentos previstos para a execução do programa estão assistência técnica e extensão rural, crédito e seguro para a agricultura familiar, compras públicas, fundos e linhas de financiamento, incentivos fiscais, mecanismos de sustentação de preços, pesquisa e inovação e estímulo à criação de mercados locais e feiras de produtores.

O Governo Federal também poderá criar linhas especiais de crédito, firmar parcerias com instituições de pesquisa e assistência técnica, financiar projetos por editais públicos e conceder tratamento tributário, sanitário e ambiental diferenciado a produtos, tecnologias e equipamentos relacionados à produção orgânica ou agroecológica. A proposta prevê ainda preferência a esses produtos nas compras governamentais.

A futura regulamentação deverá estabelecer um sistema participativo de certificação da produção agroecológica, destinado prioritariamente a agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais e empreendimentos solidários.

Governança

A PNAPO terá como principal instrumento o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo), que deverá reunir diagnóstico, estratégias, programas, projetos, metas, indicadores, orçamento, prazos e responsáveis. A execução ficará vinculada às dotações dos órgãos participantes e deverá ser incorporada ao Plano Plurianual.

A implementação caberá à União, em articulação com Estados, Distrito Federal, municípios, organizações populares, movimentos da sociedade civil e entidades privadas.

O texto cria ainda o Conselho Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (CNAPO), responsável por acompanhar e fiscalizar a política, e a Câmara Interministerial de Agroecologia e Produção Orgânica (Ciapo), encarregada de elaborar a proposta do Planapo e articular sua execução entre os órgãos federais.

Parecer do relator

Padre João apresentou parecer pela aprovação da proposta, citada como um avanço para o desenvolvimento rural sustentável. O relator ressaltou a necessidade de reduzir a dependência de recursos não renováveis.

O deputado enfatizou que a iniciativa assegura uma "transição para modelos agrícolas mais resilientes, menos intensivos no uso de recursos naturais não renováveis e mais alinhados aos desafios contemporâneos de segurança alimentar, mudanças climáticas e preservação da biodiversidade".

Padre João também relacionou essa transformação às características da produção agrícola brasileira e à dependência de insumos importados. "Essa transição é de relevância fundamental para o Brasil, um país com vasto potencial agrícola e uma rica diversidade biológica, mas que depende em larga medida de insumos de produção não renováveis e de fornecimento majoritariamente externo, como fertilizantes", acrescentou.

Veja a íntegra do parecer.

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