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Congresso em Foco
2/9/2026 20:57
Durante a sessão plenária desta quarta-feira (2), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), comentou a respeito dos múltiplos pedidos de impeachment apresentados pela oposição contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, após a publicação das mensagens trocadas com o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Alcolumbre criticou o que chamou de "agressões" por não realizar a leitura dos pedidos e, sem citar nomes, fez alusão ao caso do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que deu início à mobilização. O presidente da Casa relembrou que o colega também enfrenta suas próprias complicações por sua interação com o proprietário do Master.
"Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme e agora o culpado sou eu e o ministro Alexandre de Moraes", ironizou Alcolumbre. O senador também antecipou que pretende comentar com maior profundidade a respeito.
Veja a fala:
Caso Dark Horse
A referência ao pedido de dinheiro para um filme trata das mensagens de áudio vazadas no início de maio. A primeira delas foi um pedido de Flávio Bolsonaro ao banqueiro em novembro de 2025, pouco antes da operação Compliance Zero, por recursos para pagar a produção do filme Dark Horse, que aborda a vitória eleitoral de Jair Bolsonaro em 2018.
O congressista se defendeu afirmando que se tratava de um patrocínio privado a uma produção privada, em um período em que ainda não existiam suspeitas sobre a fraude no Banco Master.
Dias depois, o veículo divulgou novas mensagens e documentos que apontam que Eduardo Bolsonaro, radicado nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, estaria entre os responsáveis pela gestão financeira da produção. Ele também teria orientado Vorcaro sobre formas de encaminhar recursos aos Estados Unidos sem chamar a atenção dos serviços alfandegários.
Também foram vazadas as planilhas do plano de pagamento de Vorcaro para a produção cinematográfica. O documento, compartilhado entre operadores do Banco Master, previa pagamentos de US$ 23,9 milhões entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. A planilha também continha registro dos repasses já realizados, que somam US$ 10,6 milhões entre fevereiro e maio de 2025.
Acusações contra Moraes
Os pedidos de impeachment contra o ministro se baseiam no relatório da Polícia Federal tornado público na terça-feira (1º), que cita registros de supostos contatos e encontros de Vorcaro com Moraes desde 2023 e mensagens enviadas a um número atribuído ao ministro. Em uma delas, o banqueiro demonstra preocupação com uma possível ação contra ele e menciona a necessidade de procurar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A corporação também cita o contrato do Banco Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, que previa pagamentos de R$ 3 milhões mensais, além de tratativas sobre eventos com Moraes em Londres. Segundo a PF, os metadados de um documento do contrato indicavam um usuário chamado "Ministro Alexandre de Moraes" como responsável pela última alteração.
O próprio Paulo Gonet é citado nas conversas. O histórico de mensagens revela que ele e Vorcaro chegaram a conversar por telefone e que o procurador teria solicitado ao banqueiro o custeio da passagem e da hospedagem de seu filho para um evento jurídico patrocinado pelo Master em Londres, posteriormente cancelado.
A PF ressalva, porém, que não realizou diligências investigativas contra magistrados ou integrantes do Ministério Público e não concluiu que Moraes tenha cometido crime, interferido em apurações ou atendido a pedidos de Vorcaro.
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