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TRANSPORTE E CRIME ORGANIZADO
Congresso em Foco
17/9/2026 | Atualizado às 10:25
O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) é alvo de mandado de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. A ação investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de ônibus e no poder público. Leite não foi encontrado em casa e é considerado foragido pela polícia. Ele afirma que está viajando, nega as acusações e diz que vai se apresentar às autoridades em até 24 horas.
Segundo a investigação, decisões estratégicas envolvendo empresas de transporte suspeitas de ligação com o PCC dependeriam do conhecimento ou da aprovação política de Leite. A decisão que autorizou a operação o cita como responsável direto pela atuação de algumas dessas empresas e menciona depoimentos de policiais militares segundo os quais ele seria o dono de fato da Transwolff. O ex-vereador nega ser proprietário da companhia ou ter ligação com o crime organizado.
O Ministério Público afirma que o esquema teria colocado laranjas ou interlocutores da facção no controle de 12 das 22 empresas de ônibus da capital. As companhias seriam usadas para movimentar dinheiro de origem criminosa, inclusive por meio da compra e venda de veículos. Sete empresas são citadas nominalmente na investigação, entre elas a Transwolff.
Ex-presidente da SPTrans também é preso
Entre os presos está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans. Segundo os investigadores, ele teria participado de encontros para tratar de interesses da facção relacionados às empresas de transporte. Também foi preso Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande. A Polícia Civil aponta indícios de que sua campanha teria recebido recursos da organização criminosa.
A operação é um desdobramento de investigações iniciadas em 2024 sobre lavagem de dinheiro do tráfico e a atuação do PCC no transporte público. Naquele ano, a Transwolff foi alvo da Operação Fim da Linha e sofreu intervenção da Prefeitura de São Paulo. Nesta quinta, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) determinou a análise de contratos e eventuais vínculos da A2 Transportes, outra empresa citada na investigação.
Milton Leite exerceu sete mandatos de vereador e presidiu a Câmara Municipal de São Paulo. Atualmente, preside o União Brasil na capital e divide o comando estadual da Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP.
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