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RELAÇÕES EXTERIORES
Congresso em Foco
16/9/2026 16:34
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou em comunicado enviado ao Congresso americano a conduta adotada pelo governo brasileiro no enfrentamento ao tráfico de drogas. O chefe de governo citou expressamente as facções Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital, alegando que o Brasil teria "fracassado" em confrontá-las.
"Enquanto diversos governos no hemisfério ocidental estão tomando ações corajosas para reduzir o fluxo de drogas e erradicar os cartéis, o governo do Brasil tem falhado em confrontar as organizações terroristas estrangeiras designadas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho", registrou Trump.
O comunicado busca atender à Lei de Autorização de Relações Exteriores, que orienta a elaboração do orçamento destinado à chancelaria norte-americana. Dentre as exigências, está a elaboração de relatórios anuais listando países que devem receber tratamento prioritário em ações de enfrentamento ao narcotráfico.
Para a Casa Branca, as duas facções representam "uma ameaça crescente à paz e segurança ao redor do mundo, e o governo brasileiro precisa urgentemente tomar medidas agressivas para confrontá-las e derrotá-las antes que elas se espalhem e cresçam".
Embate diplomático
Brasil e Estados Unidos divergem desde o início da gestão de Donald Trump a respeito do enquadramento do Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. No início deste ano, a possibilidade de classificação foi levantada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio.
O Itamaraty defende que se tratam de organizações criminosas sem objetivos ideológicos, o que as desqualifica enquanto terroristas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a propor pessoalmente a Trump uma parceria entre os dois países para combater o narcotráfico, dentro do enquadramento de facções criminosas.
Em maio, o senador e então pré-candidato do PL à presidência da República, Flávio Bolsonaro, foi a Washington D.C. e relatou ter solicitado que o PCC e CV fossem reconhecidos como grupos terroristas. Dias depois, a Casa Branca confirmou a nova classificação.
A mudança de entendimento levantou alerta no Executivo brasileiro. A inclusão do Brasil entre países com potencial atividade terrorista flexibiliza, na legislação americana, a tomada de medidas de segurança e defesa extraterritoriais, além de impor maiores custos em compliance para que empresas consigam operar nos dois países.
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