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PRIMEIRO TURNO
Congresso em Foco
4/10/2026 | Atualizado às 16:42
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou neste domingo (4) que não há indício concreto de interferência estrangeira nas eleições brasileiras. Segundo ele, nem a Polícia Federal nem a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) apresentaram informações que apontem risco ao processo eleitoral. "Até o momento, não temos nenhum indicativo concreto de interferência internacional", afirmou o ministro durante balanço parcial da votação.
A declaração ocorre em meio à discussão sobre uma possível influência externa na eleição. A campanha do presidente Lula pediu que a suspensão de serviços consulares presenciais dos Estados Unidos no Brasil às vésperas da votação seja considerada em uma investigação sobre o tema. Outros países também adotaram medidas de precaução ou emitiram alertas de segurança para seus cidadãos.
Nunes Marques, porém, afirmou que as informações recebidas até agora pelo TSE não sustentam a existência de ameaça. "Sobre embaixada: sempre que existe um acirramento, um país pode suspender as atividades diplomáticas. O nosso indicativo das equipes que monitoram riscos não aponta nenhum tipo de risco. Nós não temos nenhum relatório da PF, da Abin, que aponte nenhum tipo de risco. Não recebemos nenhum indicativo concreto", disse.
O presidente do TSE também mencionou as preocupações anteriores com possíveis ações estrangeiras por meio de plataformas digitais. Segundo ele, a cooperação entre o tribunal e as empresas de tecnologia ajudou a reduzir esses riscos durante a campanha. "Até agora, não temos nenhum indicativo de nenhuma das nossas salas e equipes dentro do Tribunal de nenhum tipo de interferência estrangeira", afirmou.
PF também descarta risco concreto
Mais cedo, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, disse que a corporação também não identificou ameaça concreta contra representações diplomáticas no país.
Na sexta-feira (2), a PF cumpriu dois mandados de busca e apreensão em uma investigação aberta após receber informações sobre um suposto plano contra a Embaixada dos Estados Unidos.
Segundo Rodrigues, as diligências não confirmaram a suspeita. "Cumprimos as medidas judiciais, há um processo sigiloso e, de fato, não comprovamos nenhum elemento concreto que nos apontasse um risco efetivo para essa embaixada ou para qualquer outra embaixada", afirmou.
A possibilidade de interferência estrangeira já havia chegado ao Judiciário antes da votação. Em setembro, o PT pediu ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a abertura de investigação sobre episódios que, na avaliação do partido, poderiam indicar financiamento, apoio ou influência externa no processo eleitoral.
TSE relata votação dentro da normalidade
Ao fazer o balanço do primeiro turno, Nunes Marques afirmou que a votação transcorria de forma "bastante exitosa" e com poucas intercorrências. Até o início da tarde, 1.121 urnas haviam sido substituídas, o equivalente a 0,2% dos equipamentos utilizados no país.
O presidente do TSE também comentou os efeitos das fortes chuvas no Paraná. Segundo ele, alguns eleitores adiaram a ida às seções, mas não houve comprometimento da votação.
"Em relação às seções eleitorais, tudo está funcionando normalmente, todas as urnas. Nós temos geradores e baterias suficientes para concluir todo o processo de votação e transmissão", afirmou.
No balanço divulgado pela Polícia Federal até 12h30, 59 pessoas haviam sido conduzidas por suspeita de crimes eleitorais. A corporação informou ainda a apreensão de R$ 383,6 mil em dinheiro e de R$ 789,8 mil em bens e valores no total.
Entre as principais ocorrências investigadas estavam propaganda eleitoral irregular e corrupção eleitoral, especialmente suspeitas de compra de votos. Nunes Marques também prestou homenagem à ministra Cármen Lúcia, sua antecessora na presidência do TSE, pela preparação da Justiça Eleitoral para o pleito. "Teremos com certeza uma eleição exitosa, mas esse êxito também precisamos dividir com os servidores e com a ministra", disse.
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