Publicidade
Publicidade
Receba notícias do Congresso em Foco:
JUDICIÁRIO
Congresso em Foco
9/10/2026 17:02
A Advocacia-Geral da União (AGU) anunciou nesta sexta-feira (9) que solicitará à revista Veja direito de resposta e retificação de reportagem sobre supostos pagamentos do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A iniciativa atende a pedidos da Casa Civil e do Ministério da Saúde, que contestaram as acusações publicadas e solicitaram providências judiciais.
A AGU fundamenta o direito da resposta diante da existência de acusações consideradas falsas e ofensivas a autoridades federais, e não descartou recorrer a outras providências legais.
Em nota, a instituição também mencionou informações divulgadas por outros veículos de imprensa, atribuídas à defesa de Vorcaro, que contestam a existência do depoimento apresentado pela revista. Segundo a AGU, esses relatos "contradizem o conteúdo da reportagem da Veja", reforçando a necessidade de esclarecimento e correção das informações.
Fundamentação da Casa Civil
No pedido da Casa Civil à AGU, a pasta sustenta que a revista apresentou como fato comprovado o suposto pagamento de propina ao presidente, apesar de reconhecer, no próprio texto, a ausência de provas suficientes para sustentar as acusações.
A análise recorda que a Veja já havia publicado, em maio, informações sobre um suposto financiamento do documentário sobre Lula pelo banqueiro. Na ocasião, a presidência da República negou qualquer solicitação de recursos para a produção dirigida por Oliver Stone.
"O que antes era apresentado como patrocínio passa a ser descrito como propina paga em espécie ao Chefe do Poder Executivo", apontou o documento da Casa Civil.
Com base nessa avaliação, a Casa Civil recomendou à AGU a adoção de providências nas esferas cível, criminal e administrativa. Entre os encaminhamentos sugeridos estão a apuração da autenticidade dos materiais divulgados, a investigação de possíveis violações do sigilo das negociações de colaboração premiada e a comunicação de eventuais irregularidades às autoridades competentes.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também encaminhou um pedido à AGU, solicitando representação jurídica, direito de resposta e perícia do áudio atribuído a Vorcaro. O ministro negou ter favorecido o Banco Master durante sua passagem pelo Ministério das Relações Institucionais.
Reportagem contestada
A reportagem da Veja atribuiu ao banqueiro relatos sobre supostos pagamentos de aproximadamente R$ 30 milhões em espécie para financiar um documentário sobre Lula, além de outros repasses ao Instituto Lula. Segundo a publicação, os valores teriam sido exigidos pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto em troca de facilidades para o Banco Master negociar com fundos de pensão de empresas estatais.
A revista mencionou ainda a suposta participação de Padilha, de seu então secretário-executivo, Olavo Noleto, e de intermediários ligados ao governo nas negociações. A publicação apresentou mensagens, um áudio atribuído a Vorcaro e informações sobre propostas de colaboração premiada apresentadas à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Nesta sexta-feira, a Polícia Federal esclareceu que Vorcaro não prestou depoimento com o conteúdo divulgado nem entregou à corporação documentos correspondentes. A instituição também informou que rejeitou as propostas de colaboração apresentadas pela defesa do banqueiro por descumprimento dos requisitos legais.
A PGR confirmou que as negociações foram conduzidas pelos advogados de Vorcaro, sem depoimento oral do investigado. A Procuradoria ressaltou que as tratativas estão protegidas por sigilo legal.
Veja a íntegra da nota da AGU:
"NOTA À IMPRENSA
Em relação à reportagem intitulada "Primeiras Confissões", publicada na edição nº 3.016, de 9 de outubro de 2026, da revista Veja, a Advocacia-Geral da União (AGU) informa que solicitará imediatamente à publicação o direito de resposta e a retificação das informações divulgadas, sem prejuízo da adoção de outras medidas legais cabíveis.
A providência será adotada após análise do requerimento encaminhado pela Casa Civil da Presidência da República e pelo Ministério da Saúde, bem como dos esclarecimentos prestados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pela Polícia Federal (PF).
O pedido tem fundamento no artigo 2º da Lei nº 13.188, de 11 de novembro de 2015, diante da divulgação de informações apontadas como inverídicas e gravemente ofensivas a autoridades federais, conforme exposto no requerimento submetido à AGU.
Cabe destacar que informações divulgadas nesta mesma data por outros veículos de comunicação, atribuídas à própria defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, contradizem o conteúdo da reportagem da Veja, ao indicar que não existe depoimento do investigado com o teor apresentado pela revista. Tal circunstância reforça a necessidade de esclarecimento dos fatos e de correção das informações questionadas.
A AGU reafirma seu compromisso inegociável com a liberdade de imprensa, o direito à informação e o exercício responsável da atividade jornalística. Em especial durante o período eleitoral, a divulgação de informações fidedignas e devidamente verificadas constitui pressuposto essencial para o debate público e para a preservação da integridade do processo democrático."
Temas