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Assédio eleitoral
Congresso em Foco
28/10/2026 | Atualizado às 15:50
A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) comparou os boicotes a estabelecimentos comerciais de apoiadores do presidente Lula (PT) aos ataques de 8 de janeiro de 2023.
Durante pronunciamento na Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (28), a parlamentar denunciou a circulação de listas de empresas cujos proprietários apoiaram o petista e afirmou que a perseguição política continua mesmo após o fim das eleições.
"É uma nova edição, de forma diferenciada, do que nós vencemos aqui no dia 8 de janeiro", declarou Kokay, ao associar os boicotes aos ataques contra as sedes dos Três Poderes, em Brasília.
Segundo a deputada, comerciantes que manifestaram apoio a Lula ou ao PT estão sendo alvo de campanhas de boicote e manifestações de hostilidade.
Ela criticou a divulgação de listas que identificam esses estabelecimentos e incentivam represálias em razão das preferências políticas dos proprietários.
A parlamentar afirmou que os episódios fazem parte de uma política de ódio que compromete o debate democrático e transforma divergências eleitorais em tentativas de intimidação.
Para Kokay, a violência política não terminou com o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), quando Lula derrotou Flávio Bolsonaro (PL). Ela alertou que as ameaças continuam mesmo após a definição do resultado nas urnas.
"Estamos vivenciando um processo de assédio eleitoral que não se encerra com o processo eleitoral, porque ele continua com todas as ameaças."
Ataques à democracia
Durante o pronunciamento, Kokay também chamou atenção para o crescimento das denúncias de assédio eleitoral no Brasil. Segundo a parlamentar, os registros aumentaram mais de 300%, embora ela não tenha informado o período utilizado na comparação.
A deputada argumentou que a hostilidade contra eleitores e comerciantes está associada a outras formas de discriminação, como racismo, misoginia, capacitismo e preconceito contra pessoas pobres.
Na avaliação de Kokay, essas manifestações buscam desumanizar adversários políticos e restringir o exercício de direitos fundamentais. Ela afirmou que a tentativa de intimidar cidadãos por suas escolhas eleitorais representa uma ameaça à democracia.
Ao estabelecer um paralelo com o 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes contrários ao resultado das eleições de 2022 invadiram e depredaram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o STF, a parlamentar afirmou que os atuais episódios de intolerância também buscam impedir o pleno exercício da cidadania.
Kokay encerrou o pronunciamento destacando que o direito ao voto foi conquistado após décadas de mobilização política e que a liberdade de escolha deve ser preservada.
"Este país lutou muito para que nós tivéssemos o direito de votar. Este país teve muitos caminhos abertos com sofrimento."
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