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Caso Banco Master
Congresso em Foco
30/10/2026 8:45
O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, classificou seu próprio celular como uma "maldição e bênção" durante depoimento prestado à Polícia Federal em 15 de outubro de 2026. A declaração ocorreu enquanto o banqueiro defendia a situação financeira da instituição e argumentava que as mensagens encontradas em seu aparelho ajudariam a comprovar a existência de negócios e ativos do banco.
"Os negócios estão aparecendo. Meu celular, minha maldição e minha bênção. É negócio com um, negócio com outro, negócio político, todos os negócios", afirmou Vorcaro.
O depoimento foi tornado público e encaminhado ao STF nesta quinta-feira (29). Durante o interrogatório, Vorcaro foi confrontado com mensagens extraídas de seu celular e de aparelhos de outros envolvidos na investigação sobre suspeitas de fraude nas operações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
Ao comentar o conteúdo das conversas, o banqueiro afirmou que os registros demonstrariam a atuação comercial do Master, inclusive em negociações que, segundo ele, não haviam recebido atenção pública.
"Vários negócios estão aparecendo agora", declarou, antes de criticar afirmações de que o banco não teria ativos suficientes.
Vorcaro sustentou que a instituição estava em expansão antes de sua liquidação, embora reconhecesse a existência de dificuldades financeiras e operacionais.
"Tinha ativo no banco, estava em crescimento", afirmou.
A expressão utilizada pelo banqueiro chama atenção porque o celular é uma das principais fontes de provas da investigação. As mensagens analisadas pela PF são utilizadas para reconstruir as negociações de carteiras de crédito, a atuação de executivos e as relações entre os envolvidos nas operações financeiras.
Na avaliação de Vorcaro, porém, o mesmo material também poderia servir à sua defesa, ao revelar negócios que, segundo ele, demonstrariam a capacidade financeira e a atividade comercial do Master.
Investigação sobre o Master
A declaração foi feita no último depoimento de Vorcaro antes de seu indiciamento pela Polícia Federal, ao lado de outras 13 pessoas, por suspeitas de fraudes envolvendo as operações entre Master e BRB.
A PF aponta a negociação de carteiras de crédito sem comprovação de existência e atribui ao banqueiro supostos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, induzimento a erro, fraude em fiscalização e lavagem de dinheiro.
Vorcaro nega ter cometido fraude. Durante o interrogatório, afirmou que operações questionadas pelos investigadores foram substituídas por outros ativos e defendeu o arquivamento do inquérito.
"Estou disposto a falar tudo. Mas esse caso tem que ser arquivado, imediatamente, urgentemente", declarou em outro momento do depoimento.
O banqueiro também pediu uma perícia para avaliar os ativos entregues ao BRB e contestou a existência de prejuízo na operação. Os investigadores, por sua vez, sustentam que a substituição posterior das carteiras não elimina possíveis irregularidades cometidas durante as negociações.
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