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DIVERSIDADE NO PODER
Congresso em Foco
4/11/2026 | Atualizado às 10:35
As eleições de terça-feira (3) nos Estados Unidos não marcaram apenas a derrota do presidente Donald Trump e a conquista do Congresso pelos democratas. A votação também produziu uma série de resultados históricos: o país elegeu sua primeira mulher negra governadora, a primeira governadora indígena, a primeira senadora indígena, o primeiro senador muçulmano e o primeiro homem abertamente gay para o Senado.
Os pioneirismos se estenderam a Estados como Flórida, Texas, Wisconsin e Tennessee, que escolheram governantes com perfis inéditos. Embora a maioria dos eleitos pertença ao Partido Democrata, os republicanos também registraram conquistas históricas.
A eleição representou uma derrota histórica para Trump. Os democratas conquistaram a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, encerrando o controle republicano sobre o Congresso. O resultado reduz a capacidade do presidente de aprovar sua agenda e amplia o poder da oposição para fiscalizar e investigar seu governo nos dois últimos anos de mandato.
Primeiras governadoras negra e indígena
Na Geórgia, a democrata Keisha Lance Bottoms, ex-prefeita de Atlanta, derrotou o republicano Rick Jackson e se tornou a primeira mulher negra eleita governadora de um Estado americano. A vitória também devolveu o governo estadual aos democratas pela primeira vez desde 1998, em um território marcado pela história da segregação racial e da luta pelos direitos civis.
No Novo México, Deb Haaland, integrante do povo Laguna Pueblo, tornou-se a primeira mulher indígena eleita governadora nos Estados Unidos. A democrata já havia feito história em 2021, quando assumiu a Secretaria do Interior no governo Joe Biden, tornando-se a primeira indígena a comandar um ministério federal.
Senado elege representantes inéditos
Em Michigan, o democrata Abdul El-Sayed, médico epidemiologista, derrotou o republicano Mike Rogers e se tornou o primeiro muçulmano eleito para o Senado americano. Representante da ala progressista do partido, ele defendeu propostas voltadas à ampliação do acesso à saúde.
Outra conquista ocorreu em New Hampshire, onde o democrata Chris Pappas venceu o republicano John Sununu. Deputado federal desde 2019, Pappas será o primeiro homem abertamente gay a ocupar uma cadeira no Senado. Mulheres assumidamente LGBTQIA+ já haviam integrado a Casa.
Em Minnesota, Peggy Flanagan, integrante da nação White Earth Ojibwe, derrotou a republicana Michele Tafoya e tornou-se a primeira mulher indígena eleita senadora federal. Antes, ocupava a vice-governadoria estadual.
Pioneirismos também entre republicanos
Na Flórida, o deputado republicano Byron Donalds, aliado de Trump, derrotou o democrata David Jolly e se tornou o primeiro negro eleito governador do Estado. Donalds também é o primeiro republicano negro eleito para governar um Estado americano.
A senadora republicana Marsha Blackburn, outra aliada do presidente, venceu a disputa pelo Executivo estadual e será a primeira mulher a governar o Tennessee.
Entre os democratas, Gina Hinojosa derrotou o republicano Greg Abbott, tornando-se a primeira governadora latina do Texas e encerrando mais de três décadas de governos republicanos.
Em Wisconsin, David Crowley venceu o republicano Tom Tiffany e tornou-se o primeiro governador negro do Estado. Executivo do condado de Milwaukee, ele sucederá o democrata Tony Evers.
Outros marcos históricos
Em Ohio, a democrata Amy Acton, médica e ex-diretora estadual de Saúde durante a pandemia, derrotou Vivek Ramaswamy e se tornou a primeira mulher eleita governadora. Nancy Hollister já havia exercido o cargo por 11 dias, entre 1998 e 1999, mas sem ter sido eleita para a função.
Xavier Becerra, ex-secretário de Saúde de Biden, será o primeiro latino eleito governador da Califórnia. Romualdo Pacheco, também latino, ocupou o cargo por alguns meses em 1875, após assumir por sucessão.
Já em Illinois, a democrata Juliana Stratton conquistou uma cadeira no Senado. Sua eleição elevará para três, pela primeira vez, o número de mulheres negras ocupando simultaneamente vagas na Casa. Ela se juntará a Angela Alsobrooks, de Maryland, e Lisa Blunt Rochester, de Delaware.
A vitória democrata no Congresso poderá produzir outro marco em janeiro de 2027: Hakeem Jeffries tem a possibilidade de se tornar o primeiro negro a presidir a Câmara dos Representantes. Sua escolha, porém, ainda dependerá de votação interna.
Os resultados ampliam a diversidade na representação política americana e mostram que, além da mudança no equilíbrio entre democratas e republicanos, as eleições de 2026 romperam barreiras históricas de raça, gênero, origem étnica, religião e orientação sexual.
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