Entrar

    Cadastro

    Notícias

    Colunas

    Artigos

    Informativo

    Estados

    Apoiadores

    Radar

    Quem Somos

    Fale Conosco

Entrar

Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigos
  1. Home >
  2. Colunas >
  3. Sobre ferro e lágrimas | Congresso em Foco

Publicidade

Publicidade

Receba notícias do Congresso em Foco:

E-mail Whatsapp Telegram Google News
LEIA TAMBÉM

Marcus Pestana

Em ano de Copa, a política fiscal vai jogar por um empate

Marcus Pestana

Raul, uma estrela maior

Marcus Pestana

Sem adjetivos, sem concessões

Marcus Pestana

Regras fiscais e sustentabilidade econômica

Marcus Pestana

O desafio maior: a guerra que não pode ser perdida

Sobre ferro e lágrimas

Marcus Pestana

Marcus Pestana

3/2/2019 | Atualizado 10/10/2021 às 16:25

A-A+
COMPARTILHE ESTA COLUNA

Do caos à lama: bombeiros contam com a ajuda de cães para localizar corpos ainda desaparecidos fotografo]Ricardo Stuckert[/fotografo]

Do caos à lama: bombeiros contam com a ajuda de cães para localizar corpos ainda desaparecidos fotografo]Ricardo Stuckert[/fotografo]
Mais uma tragédia se abateu sobre Minas. Não há palavras que consolem as famílias dos prováveis quase 400 mortos e daqueles que tudo perderam. A linda região dos distritos de Brumadinho, que tão bem conheço, se travestiu em verdadeiro mar de lama. Nosso poeta maior já tantas vezes descreveu a alma mineira impregnada de ferro: “Minas não é palavra montanhosa. É palavra abissal. Minas é dentro e fundo. As montanhas escondem o que é Minas. No alto mais celeste, subterrânea, é galeria vertical varando ferro para chegar ninguém sabe onde. Ninguém sabe Minas...”. Mas as palavras e rimas de nosso ilustre itabirano não eram só pra exaltar as riquezas e a essência do único estado da federação que carrega a vocação minerária no próprio nome. Marca inconfundível de nossa história desde o ouro de Vila Rica e os garimpos de Diamantina. Ao contrário, muitas eram palavras tristes e angustiadas. Nesses dias, após a nova tragédia ocorrida em terras mineiras, outro poema drummondiano, publicado no Cometa Itabirano em 1984, viralizou nas redes sociais: “O Rio? É doce. A Vale? Amarga. Aí, antes fosse mais leve a carga... Quantas toneladas exportamos de ferro? Quantas lágrimas disfarçamos sem berro?”. A tensão e as contradições entre crescimento e proteção ao meio ambiente numa perspectiva de desenvolvimento sustentável não é assunto novo. Desde a Revolução Industrial, a paisagem rural e bucólica do mundo feudal cedeu lugar à velocidade do mundo moderno, urbano e fabril. As cidades se tornaram imensas concentrações populacionais e a produção polo gerador de soluções novas e novos problemas. O novo modo de vida e produção gerou naturalmente seus opositores e críticos. O movimento sindical e socialista clamando por melhores condições de trabalho e equidade social. Mas a atitude predatória em relação à natureza não era central na agenda do mundo moderno, nem à direita, nem à esquerda. A guerra fria, liderada por EUA e URSS, focava o crescimento econômico e a geração de riquezas numa perspectiva comum produtivista. Só muito tempo depois, no ambiente da revolução comportamental dos idos de 1968, começou-se a colocar o dedo nas feridas do modo de vida contemporâneo. Mas advogando uma sociedade paralela alternativa e não mudanças nos padrões de desenvolvimento. Em 1972, em Estocolmo, foi realizada a 1ª Conferência Mundial sobre Meio Ambiente. Em 1992, tivemos a RIO-92, a Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. A questão ambiental ganhou espaço, inundando a agenda de governos, empresas e organizações da sociedade civil. Como secretário executivo do Meio Ambiente, em 2002, aprendi muito com o ministro José Carlos Carvalho e sua equipe e presenciei o esforço para a modernização da legislação e do processo de licenciamento ambiental. Como relator da Medida Provisória que alterava a cobrança da Compensação Financeira Pela Exploração Mineral (CFEM) aumentei a alíquota de 2% para 3,5% e alterei a base de cálculo da receita líquida para a receita bruta. Não só aumentei e muito os recursos para municípios e estados mineradores e impactados financiarem seu desenvolvimento sustentável, com destinei 7% para a nova Agência Brasileira de Mineração, 2,8% para a pesquisa científica e tecnológica no setor e 0,2% para o IBAMA, o que é suficiente para financiar todo o setor de controle e licenciamento ambiental do órgão para o segmento. A estrutura herdada do antigo DNPM é ridícula. É bom que alguns liberais, que defendem radicalmente o “Estado mínimo”, aprendam com a vida sobre a necessidade de um Estado forte e ágil, ainda que enxuto e eficiente, para regular com sabedoria e eficiência as lacunas deixadas pelo mercado. Em Minas Gerais, por exemplo, para 220 barragens e 140 mil processos, temos apenas 35 técnicos, dos quais quatro para fiscalização das barragens, além de quatro caminhonetes e dois veículos pequenos velhos. Só diante de desastres ambientais, como os de Mariana e Brumadinho, é que a sociedade e os governos acordam e choram o leite derramado. Esperamos todos uma rigorosa apuração, a implacável punição dos culpados e a correção de rumos para o futuro. Esperamos que a trágica e dramática experiência de Brumadinho seja um degrau de aprendizado para que ferro seja sinônimo de Minas, emprego, renda e desenvolvimento sustentável. E não de lágrimas, como disse o poeta. Veja também: Brumadinho demonstra "irresponsabilidade criminosa" Outras informações sobre a tragédia de Brumadinho 
Siga-nos noGoogle News
Compartilhar

Tags

Marcus Pestana DNPM mineração carlos drummond de andrade licenciamento ambiental vale liberalismo estado mínimo Tragédia de Brumadinho

Temas

Meio Ambiente Colunistas
COLUNAS MAIS LIDAS
Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosFale Conosco

CONGRESSO EM FOCO NAS REDES