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O direito à preguiça

OPINIÃO: O homem que trabalha perde tempo, como disse Domenico Massi, ou o trabalho dignifica o homem, como em Max Weber? Por Marcus Pestana

Marcus Pestana

Marcus Pestana

7/12/2024 11:16

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Charles Chaplin em

Charles Chaplin em "Tempos Modernos". Foto: Wikimedia Commons
Paul Lafargue, escritor e jornalista revolucionário franco-cubano, genro de Karl Marx, cuja obra foi o marco fundador do pensamento marxista, escreveu, no final do século 19, "O Direito à Preguiça". Na epígrafe do primeiro capítulo, cita Lessing: “Sejamos preguiçosos em tudo, exceto em amar e em beber, exceto em sermos preguiçosos”. E abre seu texto dizendo:

“Uma estranha loucura se apossou das classes operárias das nações onde reina a civilização capitalista. Esta loucura arrasta consigo misérias individuais e sociais que há dois séculos torturam a triste humanidade. Esta loucura é o amor ao trabalho, a paixão moribunda do trabalho, levado até o esgotamento das forças vitais do indivíduo e da sua progenitora. Em vez de reagir contra essa aberração mental, os padres, os economistas, os moralistas sacrossantificaram o trabalho [...] Na sociedade capitalista, o trabalho é a causa de toda a degenerescência intelectual, de toda a deformação orgânica”.

Já o grande intelectual alemão Max Weber vai em direção contrária, afirmando que “o trabalho dignifica o homem”, não só por gerar renda e garantir a sua sobrevivência, mas por proporcionar a oportunidade de estabelecimento de relações interpessoais e ser parte da realização pessoal. Em "Tempos Modernos", o genial cineasta e ator Charlie Chaplin constrói uma contundente crítica ao processo produtivo capitalista, numa linha de produção fordista, onde o trabalhador mergulhava horas a fio em tarefas repetitivas, enfadonhas e parciais, com total alienação do operário em relação ao produto de seu trabalho. Não foi à toa que foram substituídos facilmente, no mundo contemporâneo, por máquinas e robôs. Já o pensador italiano Domenico De Masi lançou em 1975 o livro "O Ócio Criativo", que teve grande repercussão global, mostrando que era preciso se libertar da ideia tradicional de trabalho e combiná-lo com tempo livre dedicado ao estudo, prazer, arte, esporte. Na tela inicial de seu computador flutuava uma frase “O homem que trabalha perde tempo precioso”. Leon Trotsky, teórico e um dos líderes da Revolução Russa, em seu Literatura e Revolução, adiantou traços que vislumbrava na vida da futura sociedade socialista avançada e da utopia que imaginava para o ser humano, libertado do excesso de trabalho pelos avanços da tecnologia e tendo mais tempo para a família, as artes, os esportes, os estudos e o lazer, escreveu “O homem se tornará imensamente mais forte, mais sábio e mais sutil; seu corpo se tornará mais harmônico, seus movimentos serão mais ritmados, sua voz mais musical... O tipo humano médio ascenderá às altitudes de um Aristóteles, um Goethe, ou um Marx. E acima desse nível novos cumes surgirão”. Como se vê a forma de se encarar o trabalho humano, suas virtudes e pecados, provoca profunda discussão. Digo isso para preparar a discussão que pretendo fazer no próximo artigo da PEC de autoria da deputada federal Erika Hilton que propõe mudar a jornada de trabalho da escala de 6x1 com 44 horas semanais para o regime 4x3, reduzindo as horas trabalhadas por semana para 36 horas. O homem que trabalha perde um tempo precioso, como pensou Domenico Massi, ou o trabalho dignifica o homem, como afirmou Max Weber? Quais as consequências, problemas e conquistas, no Brasil, se decidirmos reduzir a jornada de trabalho semanal para 36 horas? Volto ao tema na próxima semana.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected]
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trabalho Charles Chaplin Max Weber Leon Trótski Erika Hilton Domenico Massi PEC da jornada 6x1

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