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Congresso em Foco
15/9/2026 7:33
A 20 dias do primeiro turno, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) avalia que a disputa presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) poderá ser decidida menos pela apresentação de propostas e mais pelo impacto de denúncias ou escândalos que surgirem na reta final da campanha.
Em entrevista ao Congresso em Foco, Vieira afirmou que uma parcela relativamente pequena do eleitorado ainda pode mudar de posição e, diante de uma eleição apertada, ser suficiente para definir quem avança em melhores condições na corrida pelo Palácio do Planalto.
"Eu tenho dito muito que a eleição vai ser resolvida pelo escândalo da semana", afirmou Vieira. Na avaliação do senador, o efeito de uma nova denúncia dependerá diretamente de qual dos principais candidatos for atingido. "Se o escândalo da semana atinge o Lula, ganha o Flávio. Se atinge o Flávio, ganha o Lula."
O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro. Para Vieira, o curto período até a votação aumenta o potencial de fatos novos influenciarem uma parcela do eleitorado que ainda não consolidou completamente sua escolha. O senador estima que algo entre 2% e 3% dos eleitores possa alterar o voto diante das informações divulgadas nas próximas semanas.
A avaliação de Alessandro Vieira parte de uma disputa em que, segundo ele, boa parte do eleitorado já está posicionada em campos políticos relativamente consolidados. Isso reduziria o número de votos efetivamente disponíveis para serem conquistados nas últimas semanas.
Para o parlamentar, uma movimentação de apenas dois ou três pontos percentuais pode assumir importância decisiva em um cenário equilibrado entre Lula e Flávio Bolsonaro. Vieira considera que essa parcela mais suscetível a mudanças estaria especialmente presente nos grandes centros urbanos, onde acontecimentos de forte repercussão podem alterar rapidamente a agenda política.
Polarização
Ainda em análise sobre o cenário político, Vieira afirmou que as diferenças entre direita e esquerda perdem força quando os partidos chegam ao Congresso Nacional e passam a participar efetivamente das votações.
O parlamentar disse que os dois campos políticos mantêm diferenças importantes para mobilizar o eleitorado, mas apresentam comportamentos semelhantes no cotidiano de Brasília.
Vieira também avaliou que as eleições de 2026 devem ampliar a presença de senadores de partidos de direita e demonstrou preocupação com a qualidade da próxima composição do Congresso.
"Um aprendizado desses últimos oito anos é que direita e esquerda significam muito pouco em Brasília. Eles fazem sentido como rótulo para captar votos. Na vida real, quando você vai para o mapa de votações, muito parecidos. As posturas e os vícios, muito parecidos."
O senador considera provável uma ampliação da presença de partidos de direita no Senado, mas argumenta que a composição ideológica, isoladamente, não determina a qualidade do Legislativo. Para ele, a principal questão será saber se os parlamentares eleitos terão capacidade de avançar em temas que ficaram paralisados nas legislaturas anteriores.
Desalento
Vieira afirmou que a descrença dos brasileiros na Justiça e na política tem provocado um sentimento de desalento e afastado parte da população do processo eleitoral. Segundo o senador, quando há mobilização, muitas vezes ela ocorre impulsionada pela polarização.
"O brasileiro médio não confia com toda a Justiça, não confia na política. Ele não se sente animado a participar do debate, a participar das eleições, se engajar. Você tem engajamento que entra por portas que são muito negativas, que é a porta do ódio, desse conflito polarizado."
Candidato à reeleição, Vieira disse que seu desafio é convencer o eleitor a participar da campanha a partir do trabalho realizado no mandato, e não do confronto político nas redes sociais. "O desafio de quem está numa campanha, como é o caso da minha campanha, uma campanha de reeleição, é você motivar esse eleitor com base em trabalho, avaliou.
O senador disse acreditar na reeleição, mas reconheceu a dificuldade do cenário: "Acredito que a gente vai ter sucesso, tenho esperança que tenha sucesso, mas é um desafio muito grande."
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