Notícias

Ciro Nogueira é alvo da PF em nova fase da Operação Compliance Zero

Operação autorizada pelo STF apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro.

7/5/2026
Publicidade
Expandir publicidade

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (7), a 5ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro.

A nova etapa mira, pela primeira vez, o núcleo político da investigação. Um dos alvos é o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas, que foi proibido de manter contato com as pessoas investigadas na Operação Compliance Zero. A operação contra o ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

Ao todo, policiais federais cumprem dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária nos Estados do Piauí, de São Paulo, de Minas Gerais e do Distrito Federal. A decisão judicial também autorizou o bloqueio de bens, direitos e valores no valor de R$ 18,85 milhões.

Veja a íntegra da decisão.

Senador Ciro Nogueira é um dos alvos da nova fase da Compliance Zero.Moreira Mariz/Agência Senado

Delação de Vorcaro está sob análise

A operação ocorre na mesma semana em que a defesa de Daniel Vorcaro entregou à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República uma proposta de acordo de delação premiada.

O material ainda está sob análise dos investigadores. Nesta etapa, a proposta não tem valor probatório. Segundo o material apurado, a nova fase da operação não tem relação direta com os fatos apresentados na proposta de delação.

Investigação começou após pedido do MPF

As investigações que levaram à Operação Compliance Zero tiveram início em 2024, a partir de uma requisição do Ministério Público Federal (MPF).

A PF apura a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Esses títulos teriam sido comercializados e vendidos a outro banco. Após fiscalização do Banco Central, os ativos originais teriam sido substituídos por outros sem avaliação técnica adequada.

A operação combate a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional. Entre os crimes investigados estão gestão fraudulenta, gestão temerária, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Primeira fase teve prisões e apreensão de avião

Na primeira fase da Compliance Zero, a PF cumpriu cinco mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 25 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal.

Segundo balanço da PF, as apreensões realizadas na operação somam cerca de R$ 230,13 milhões. O item de maior valor foi um avião avaliado em R$ 200 milhões, atribuído ao banqueiro Daniel Vorcaro.

A aeronave de luxo foi apreendida no pátio do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Segundo a investigação, era o mesmo avião que levaria Vorcaro a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, antes de ele ser preso pela PF.

Vorcaro foi preso no Aeroporto de Guarulhos, a caminho de Dubai, um dia antes de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master e de sua corretora de câmbio.

A defesa do banqueiro afirmou que ele viajaria a negócios para tratar da venda do Master ao Grupo Fictor e a um consórcio de investidores. Com o avanço do caso, o Fictor suspendeu a operação.

Quarta fase prendeu ex-presidente do BRB

Na quarta fase da operação, deflagrada em 16 de abril, a PF prendeu o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.

Essa etapa apurou suspeitas de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. Após a prisão, Costa também decidiu buscar um acordo de delação premiada.

Nova fase chega ao núcleo político

A 5ª fase marca uma ampliação da investigação em direção ao núcleo político. O principal alvo conhecido até agora é Ciro Nogueira, senador pelo Piauí e presidente nacional do Progressistas.

A operação foi autorizada pelo STF porque envolve parlamentar com foro privilegiado. Até o momento, não há informação de denúncia formal contra o senador no caso.

Veja mais no portal
cadastre-se, comente, saiba mais

Notícias Mais Lidas

Artigos Mais Lidos