O presidente Lula criticou, durante reunião ministerial nesta quarta-feira (3), as propostas do governo dos Estados Unidos de sobretaxar importações de produtos brasileiros. "Nós temos muita história e nós não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deu ao Brasil esta semana. Não é possível", afirmou Lula aos ministros.
O presidente disse que o Brasil nunca se recusou a negociar com Washington. "Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos", declarou.
Lula também criticou a forma como tomou conhecimento da primeira proposta de taxação, ainda no ano passado. Segundo ele, o anúncio foi feito por Donald Trump nas redes sociais, em vez de seguir canais diplomáticos formais.
"Desde o primeiro Twitter do presidente Trump, que é um comunicado avesso àquilo que a democracia e a civilidade exigem. É que um presidente telefone para o outro ou um presidente manda uma carta oficial para o outro", disse.
Na avaliação de Lula, a justificativa apresentada pelos Estados Unidos para a tarifa parte de "inverdades". O presidente contestou a alegação americana de desequilíbrio comercial para propor a taxação em 25% sobre os produtos brasileiros. Ele afirmou que o déficit citado por Washington, na verdade, é favorável ao Brasil.
"Eu fiquei sabendo da taxação primeira pelo Twitter e uma taxação substanciada com base em inverdades. Porque o déficit que os Estados Unidos diz que tem com o Brasil é o Brasil que tem contra ele. Não é possível", afirmou.
A declaração ocorre após o governo dos Estados Unidos propor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Em outra frente, Washington também incluiu o Brasil em uma lista de países sujeitos a uma nova sobretaxa, de 12,5%, por suposta falha no combate à importação de bens produzidos com trabalho forçado.