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TARIFAÇO DOS EUA

"Não podemos aceitar", diz Lula sobre tarifaço em reunião ministerial

Presidente critica tarifa de 25% proposta por Trump, admite ter sido surpreendido pela ofensiva dos EUA e diz que irá ao G7 para defender posição do Brasil.

Congresso em Foco

3/6/2026 | Atualizado às 12:13

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O presidente Lula reagiu nesta quarta-feira (3), durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, à proposta dos Estados Unidos de aplicar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Diante dos ministros, Lula disse que o Brasil não pode aceitar o tratamento dado pelo governo Donald Trump e afirmou que buscará alternativas no mercado internacional caso Washington insista na sobretaxa.

"Não podemos aceitar o tratamento que os EUA deram ao Brasil", afirmou o presidente. Lula disse que pretende enviar uma nova carta a Trump para contestar os argumentos usados pelo governo americano. Segundo ele, os Estados Unidos estão "errados" e "equivocados" ao justificar a medida contra o Brasil.

Lula fez sua primeira reunião geral com os ministros que assumiram no início de abril.

Lula fez sua primeira reunião geral com os ministros que assumiram no início de abril.Reprodução/Youtube

"Vamos vender para quem quiser comprar"

Lula afirmou aos ministros que o Brasil não deve ficar preso às decisões comerciais dos Estados Unidos. "Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. A gente não vai ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro", declarou.

O presidente também criticou a forma como tomou conhecimento da proposta de tarifa. Segundo ele, o anúncio feito por Trump nas redes sociais desrespeitou práticas diplomáticas entre países. "Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos", afirmou. Lula disse ainda que soube da primeira taxação "pelo Twitter" e que a medida foi baseada em "inverdades".

Pix no centro da reação

Durante a reunião, Lula exibiu no telão a frase "O Pix é do Brasil", repetindo o gesto feito na véspera, em evento em Catalão, Goiás. O sistema de pagamentos instantâneos foi citado no relatório americano que embasa a proposta de tarifa de 25%, ao lado de temas como desmatamento ilegal, pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção.

Lula contestou o argumento de que os Estados Unidos teriam déficit comercial com o Brasil. Segundo o presidente, a situação seria inversa. "Se alguém tivesse que fazer uma taxação, é o Brasil contra os EUA, não os EUA contra o Brasil", disse.

Surpresa após encontro com Trump

O presidente afirmou ter sido surpreendido pela postura americana porque, após encontro com Trump na Casa Branca, em maio, esperava uma nova fase nas relações bilaterais. Lula disse ter saído da reunião convencido de que os dois países estavam construindo "uma nova lógica" de diálogo.

O incômodo do governo brasileiro se deve também ao fato de que, depois do encontro, havia a expectativa de criação de um grupo bilateral para discutir os entraves comerciais. Segundo o relato levado à reunião ministerial, houve apenas uma reunião antes da nova ofensiva tarifária.

Lula voltou a responsabilizar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se encontrou com Trump na semana passada, pelas novas tarifas. Sem citar o nome do pré-candidato a presidente, chamou-o de "imbecil", ao se referir a eventuais articulações políticas do filho de Jair Bolsonaro para enfraquecer a economia e prejudicar o atual governo.

Nova carta e ida ao G7

Lula disse que vai reforçar a defesa do Brasil em carta a Trump e também por meio de artigos na imprensa americana. O presidente afirmou ainda que decidiu participar da cúpula do G7 para tratar do tema com líderes internacionais.

"Conhecemos a história, não queremos guerra, queremos a verdade da relação que dura 200 anos. E queremos fortalecer nossa relação com os Estados Unidos", afirmou. O Brasil não integra o grupo dos países mais ricos, mas participará do evento como convidado.

Outra tarifa em análise

Além da proposta de 25%, os Estados Unidos incluíram o Brasil em outra investigação, divulgada na terça-feira (2), sobre suposta falha de 60 países no combate à importação de produtos fabricados com trabalho forçado. Nesse caso, Washington propôs uma tarifa adicional de 12,5%.

As medidas ainda não estão em vigor e dependem de etapas formais nos Estados Unidos. Mesmo assim, a reação de Lula indicou que o governo pretende transformar o tema em uma defesa pública da soberania brasileira e do papel do país no comércio internacional.

Cobrança a ministros

A reunião também serviu para alinhar o governo antes do período eleitoral. Lula cobrou que os ministros priorizem entregas já planejadas e evitem apresentar novas iniciativas nesta reta do mandato. A orientação é concentrar esforços em obras e programas que possam ser concluídos antes das restrições impostas pela legislação eleitoral.

Esta foi a primeira reunião ministerial com a nova configuração da Esplanada, após a troca de 18 titulares em abril. Além do tarifaço, o encontro tratou de temas como a escala 6x1, a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal e a decisão dos EUA de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.

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