A 34ª edição da Marcha para Jesus reuniu nesta quinta-feira (4) centenas de milhares de fiéis no centro de São Paulo e se transformou em uma vitrine política para lideranças de diferentes campos ideológicos.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB-SP), estiveram entre as autoridades presentes no evento.
O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça também esteve entre as autoridades presentes.
Segundo levantamento do Monitor do Debate Político da USP e da ONG More in Common, a marcha reuniu cerca de 338 mil pessoas.
O evento, organizado pela Igreja Renascer em Cristo, é considerado uma das maiores manifestações evangélicas do país e ocorre anualmente durante o feriado de Corpus Christi.
Tarcísio e Flávio voltam a dividir espaço público
Tarcísio de Freitas participou do percurso ao lado de aliados políticos e lideranças religiosas.
O governador foi que mais atraíram a atenção dos participantes da marcha e dividiu espaço no trio elétrico com Flávio, Ricardo Nunes e o ministro André Mendonça.
Ao lado dele, Flávio Bolsonaro adotou um discurso de forte apelo religioso. O senador afirmou que o Brasil vive uma "guerra espiritual" e defendeu a mobilização dos cristãos diante dos desafios enfrentados pelo país.
A presença dos dois no mesmo trio elétrico chamou atenção por ocorrer após semanas de distanciamento político.
Tarcísio vinha evitando agendas públicas com o senador desde a divulgação de um áudio em que Flávio Bolsonaro pede recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os dois já haviam aparecido juntos em maio, durante o lançamento da pré-candidatura do secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP-SP), ao Senado. A Marcha para Jesus, porém, representou o reencontro de maior visibilidade desde a eclosão do caso.
O evento também ocorreu dias após uma operação da Polícia Civil de São Paulo que investiga suspeitas de irregularidades envolvendo a produtora responsável por Dark Horse.
Embora a investigação tenha ampliado a repercussão política do caso, Tarcísio e Flávio evitaram comentar o assunto durante a marcha e concentraram seus discursos em pautas religiosas e na mobilização do eleitorado evangélico.
Jorge Messias aposta em discurso de reconciliação
Representando o governo federal, o advogado-geral da União, Jorge Messias, adotou um tom diferente dos demais discursos políticos. Durante a marcha, ele defendeu o diálogo, o perdão e a reconciliação entre os brasileiros.
O advogado-geral procurou separar a agenda religiosa da disputa política. Segundo declarou à imprensa, a Marcha para Jesus "não é comício" e deve ser vista como um espaço de manifestação da fé.
Ao ser questionado sobre a nova indicação ao STF , afirmou que aguarda uma resposta de Deus para os próximos passos de sua trajetória.
Apesar de participar do mesmo trio elétrico que outras autoridades, Messias permaneceu em posição mais discreta ao longo do percurso.
Diferentemente dos demais políticos presentes, não dividiu agendas nem aparições públicas com lideranças da direita e manteve interlocução restrita a apoiadores e representantes do governo.
Evangélico e presbítero batista, Messias participa da Marcha para Jesus pelo quarto ano consecutivo como representante do governo federal.
No Planalto, ele é considerado um dos principais interlocutores de Lula junto ao segmento evangélico, eleitorado em que o presidente ainda enfrenta resistências.