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Manifesto com quase 3 mil entidades empresariais cobra reação do STF

Abaixo-assinado pede que o Plenário examine os fatos em sessão pública e decida com urgência, sem "subterfúgios" nem "corporativismo".

9/9/2026
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Ao menos 2.764 entidades representativas do setor produtivo, entre associações, federações e sindicatos patronais, haviam aderido até o início da manhã desta quarta-feira (9) a um manifesto que cobra do STF uma resposta à crise que atinge a Corte.

Liderado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o "Manifesto à Nação Brasileira" foi publicado em vários jornais e ganhou uma página própria na internet, aberta a novas adesões. A Fiesp capitaneia a mobilização e organiza a participação do empresariado.

Estátua da Justiça em frente ao Supremo Tribunal Federal. Corte vive uma das maiores crises de sua história.Gustavo Moreno/STF

O documento afirma que o Brasil atravessa uma "crise institucional de extrema gravidade" e cobra que o Plenário do Supremo examine os fatos publicamente. "A Sociedade Brasileira exige que o Plenário do Supremo examine em sessão pública os fatos, decida com absoluta urgência, sem subterfúgios e sem corporativismo", afirma.

Entidades dos setores automotivo, têxtil, da construção, imobiliário, financeiro, do agronegócio, comércio, cooperativismo e advocacia foram procuradas para aderir ao movimento. Entre as signatárias estão a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e o Sindicato Nacional da Indústria de Tratores, Caminhões, Automóveis e Veículos Similares (Sinfavea). A Confederação Nacional do Comércio (CNC), a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), a Faesp e a Fecomercio-SP também aparecem entre as entidades destacadas na página do manifesto.

Sem citar nominalmente ministros, o texto sustenta que a autoridade de um tribunal depende de "imparcialidade, transparência e exemplaridade" e afirma que o STF, embora seja o guardião da Constituição, não está dispensado de prestar contas. "Cada dia é um dia a mais de descrédito", diz o manifesto.

A mobilização ocorre em meio à crise no Supremo envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça e aos desdobramentos das investigações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Na terça-feira (8), a tensão aumentou depois que Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada.

Leia a íntegra do manifesto:

"Manifesto à Nação brasileira

O Brasil, como é notório, atravessa uma crise institucional de extrema gravidade, e o seu epicentro é, precisamente, a Corte de Justiça a quem a Constituição confiou a última palavra. Não se trata de ruído passageiro.

Não há Estado de Direito sem juízes acima de qualquer suspeita. A autoridade de um tribunal não decorre da toga nem do cargo, mas da legitimidade que só a imparcialidade, a transparência e a exemplaridade conferem. Se a legitimidade é questionada, tudo o mais se torna incerto: a segurança jurídica, a confiança nas instituições e a própria paz social.

O Supremo Tribunal Federal é o guardião da Constituição, mas guardião algum está dispensado de prestar contas. Quem julga a Nação há de submeter-se, com idêntico rigor, ao julgamento do Direito, da Sociedade e da História. A Constituição que a Corte protege é a mesma que lhe impõe julgamentos transparentes, justos e decisões fundamentadas.

A Sociedade Brasileira exige que o Plenário do Supremo examine em sessão pública os fatos, decida com absoluta urgência, sem subterfúgios e sem corporativismo. A resposta que a Nação aguarda não admite prazo!

Cada dia é um dia a mais de descrédito.

O País já venceu crises profundas e delas saiu mais forte, porque, em cada uma, houve quem se recusasse a calar.

Ninguém, ninguém está acima da LEI!"

Veja a lista das entidades que já assinaram o manifesto.

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